Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 08/09/2020

Durante o período de colonização do Brasil, os jesuítas portugueses tinha o objetivo de catequizar os nativos. Para isso foi necessário uma série de adaptações às formas de ensino as quais deveriam ser utilizadas para alcançar tal propósito. Apesar de se tratar de um episódio de séculos atrás, no cenário de pandemia contemporâneo dificuldades vinculadas ao modo de ensino também são um empecilho a ser superado pelo sistema educacional brasileiro. Por um lado, a problemática associada a desigualdade entre classes sociais no acesso às aulas virtuais derivadas do isolamento social prejudica a viabilização da educação de grande parte da população brasileira. Por outro lado, as inovações tecnológicas decorrentes da realidade atual são importantes para o avanço na metodologia pedagógica mundial. À vista disso, alternativas que possam associar favoravelmente prós e contras dos impactos da pandemia na educação tornam-se necessárias.

Em primeira análise, as disparidades nos sistemas públicos e privados de educação básica inviabilizam a adesão de grande parte dos alunos brasileiro nesse novo contexto da ensino a distância. A violação dos direitos humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está – sobretudo – na perpetuação de desigualdades que atentam contra a dignidade humana ou de um grupo social. Essa é a opressão simbólica a qual trata o sociólogo Pierre Bordieu. Dessa forma, o privilégio de estudo não deveria ser obtido de acordo com renda do indivíduo.

Sob outra perspectiva, o distanciamento social proporcionou uma renovação na estrutura educacional com o auxílio de ferramentas digitais. Segundo a tábula rasa de John Locke, todo indivíduo nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio da experiência. Sendo assim, ao ser exposto à adversidades, como no caso de pandemia atual, o homem assume a ideia de que é necessário superar obstáculos através de estratégia diferentes das tradicionais.

Dado o exposto, é de suma importância o papel do Estado e de empresas privadas na manutenção da problemática apresentada. Cabe ao Congresso Nacional, através de Comissões, realizar audiências públicas com os diversos setores da sociedade, tendo como objetivo discutir com especialistas sobre possíveis medidas que possam reduzir o contraste entre o sistema de ensino público e privado utilizando-se de recursos tecnológicos para isso. Em conjunto com empresas de software com especialidade em técnicas de ensino, torna-se fundamental a realização de políticas público-privadas que visem aumentar a participação de alunos prejudicados pelo isolamento social em plataformas digitais que entreguem uma tutoria adequada. Desse modo, a discrepância presente entre o impacto sofrido por diferentes classes sociais poderá ser atenuada.