Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 09/09/2020

Desde o século XVIII, a Revolução Industrial tem trazido diversas mudanças para a sociedade com a implementação cada vez maior da tecnologia. Nesse contexto, sem tais inventos, talvez as adaptações feitas diante da pandemia do novo coronavírus não seriam possíveis. No entanto, essa adaptação forçada implica em diversos danos, sobretudo nas redes de ensino, sendo imperiosa a ampliação de medidas a fim de amenizar os impactos ocasionados por esse cenário. Para tanto, deve-se considerar a relevância da ambiência de uma classe real, bem como a maneira com que as disparidades, já existentes, são estimuladas.

Em princípio, vale dizer que o ambiente físico de ensino é de extrema importância para aluno, sendo que, ainda não estamos prontos para deixá-lo. Nesse sentido, a sala de aula constitui o processo secundário de socialização - como especificado pelo sociólogo Pierre Bourdieu - o qual possui suma importância para a saúde mental dos estudantes. Na medida em que todos estão a cada minuto conectados aos aparelhos eletrônicos, o momento de classe, de se estar em turma, se faz cada vez mais imprescindível. Além disso, deve-se ponderar que muitos alunos da rede pública de ensino consideram a merenda escolar uma refeição diária, acarretando contradições para a nutrição. Logo, a pandemia abala de forma significativa a vida desses estudantes.

Outrossim, se na rede privada a chegada da tecnologia de forma brusca é um catalisador do aprendizado, na rede pública é mais um elemento que torna o ensino ainda mais díspar. Nesse âmbito, a começar pela grande quantidade de alunos que não têm acesso a internet, até a cultura incutida no próprio estudante que impede uma organização autônoma e eficaz nos estudos, o formato digital não tem surtido efeitos positivos. Consoante ao que disse o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, o mundo virtual tem transformado relações sociais em conexões frágeis. Pode-se dizer que, no caso do aprendizado público, tem acontecido o mesmo tornando-o cada vez mais frágil e instável. Assim, a pandemia acaba por reverberar as desigualdades sociais de forma mais intensa.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas com o intuito de amenizar os impactos da pandemia na educação brasileira. Dessa forma, para melhorar o aprendizado virtual o Governo Federal e o Ministério de Educação devem disponibilizar cursos de capacitação aos professores em EAD. Ademais, as universidades devem desenvolver softwares adequados a essa realidade - com vistas a atenuar os danos da pandemia e preservar a educação brasileira. Desse modo, a adaptação ao ambiente virtual, a qual é inevitável e necessária, será feita de forma organizada e bem estruturada, para se evitar ao máximo as disparidades e tornar os impactos dessa atual conjuntura mais leves quanto possíveis.