Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 11/09/2020

Embora no filme escritores da liberdade seja retratado o modelo de educação libertadora que propõe a criticidade abordada por Paulo Freire, há o outro lado que exibe a desigualdade social dos alunos e a cobrança pela aprovação em detrimento do aprendizado. Paralelamente, esse cenário é visto nas escolas do Brasil e ganhou maior evidência no atual cenário de pandemia, na qual a educação se tornou objeto mercantil acessível a quem possui dinheiro para o ensino particular, ao mesmo tempo em que, para estes, aprender e ensinar se tornou uma competição de produtividade.       Segundo o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, a pandemia evidenciou a desigualdade no acesso à educação com a continuidade das aulas de forma remota sendo possível apenas para as instituições particulares. Nesse contexto, verifica-se que o acesso à educação se tornou comercializável e possível para os financeiramente possibilitados, evidenciando um favorecimento destes, que, mesmo de forma obrigatória, têm a oportunidade de acesso ao conhecimento. Dessa forma, evidencia-se que muitos alunos e professores não possuem meios de se adaptar ao novo modelo de aulas devido a falta de infraestrutura oferecida pela escola pública.

Em contrapartida, a sociedade do desempenho, conceito do filósofo coreano Byung Chul Han, busca a elevada produtividade sem considerar as necessidades humanas, tornando o tempo líquido. Nesse viés, o isolamento gerado pela pandemia criou a ideia de “sobra de tempo”, levando as pessoas a buscarem a alta produtividade. Desse modo, isso reflete-se na cobrança exacerbada das escolas aos alunos e professores em prol da produtividade, na qual se exige metas e ignora principal, o aprendizado. Assim, gera-se indivíduos com problemas de saúde mental como ansiedade e depressão em tal cenário de pressão sobre alunos e professores que nada aprendem e nada ensinam, apenas tentam cumprir metas.

Portanto, a pandemia revolucionou o modelo de educação, porém o saldo de consequências se sobressai, levando à um impacto negativo à população. Dessa forma, o Estado deve garantir o cumprimento da lei tornando a educação acessível a todos no cenário de pandemia, por meio do oferecimento de eletrônicos, como tablets, e acesso à Internet ao alunos que não os possuem poderem acompanhar as aulas, para que se possa reduzir a desigualdade existente. Assim como o Ministério da Educação deve adaptar o planejamento curricular na pandemia, para que se reduza a exigência aos alunos e professores, levando em conta a saúde mental de todos, a fim de que não haja o excesso de produtividade. Dessa forma, chegaremos à educação de Paulo Freire tão bem exemplificada no filme.