Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 10/09/2020

Segundo Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês, “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Nesse sentido, o fechamento das escolas, devido ao isolamento social durante a pandemia, promoveu a aplicação do ensino remoto como alternativa para a continuidade do ensino. Contudo, essa nova metodologia de educação online encara o despreparo dos professores e expõe maiores dificuldades do acesso à educação no Brasil.

Diante da imediata utilização do ensino a distância, poucos educadores encontram-se adaptados para dar aulas online, o que prejudica o aprendizado dos alunos. Por certo, os professores sempre buscam novos métodos de ensino mais atrativos, como observado no filme “Escola de Rock”, cujo profissional utiliza da música para lecionar. Porém, tendo em vista a prevalência do ensino presencial no Brasil nos anos antes da pandemia, muitos professores enfrentam pela primeira vez os desafios de fazer vídeo-aulas atrativas e de acompanhar o aprendizado dos alunos a distância. Isso dificulta a transmissão do conhecimento aos discentes.

Além disso, parte da população tem menor alcance de aprendizado, devido a desigualdade no acesso ao ensino remoto no país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet, estatística que atinge a população pobre e da zona rural. Essas pessoas também tem menos acesso aos computadores e as ou seja, não possuem a infraestrutura mínima para as aulas online, impedindo o alcance do ensino para todos.

Assim, o despreparo dos professores e o acesso desigual ao ensino remoto são obstáculos para a educação brasileira na pandemia. Portanto, é dever do Ministério da Educação propor materiais e palestras online sobre novos métodos de ensino para os docentes, a fim de auxiliá-los durante as aulas. Ademais, as escolas devem expor para o governo os alunos mais necessitados, para que este disponibilize o acesso a internet e aos aparelhos eletrônicos, a fim de garantir o ensino universal na pandemia.