Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/09/2020
Consoante o filósofo e sociólogo francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. No entanto, a tecnologia, que deveria estar a favor da educação em meio ao cenário pandêmico hodierno, provoca grandes impactos por ainda ser um privilégio dentro da sociedade brasileira. Dessa forma, entende-se que políticas públicas são necessárias para maior qualidade de ensino por parte dos docentes e para maior acessibilidade tecnológica dos estudantes da rede pública.
Em primeira análise, vale ressaltar que a internet fora criada em 1969 pelos EUA durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e URSS buscavam avanços tecnológicos a todo custo para ultrapassar o seu rival e ganhar o título de maior potência mundial. Entretanto, apesar dos cinquenta e um anos dessa invenção, um grande número de professores ainda não sabe como usar tal ferramenta a seu favor. Desse modo, a qualidade de ensino, já prejudicada pela atual pandemia do corona vírus, que impossibilitou as aulas presenciais, decai de maneira constante, visto que o maior mecanismo a ser usado para a contínua transmissão de conhecimento é a tecnologia.
Outrossim, parafraseando Bourdieu, a tecnologia, instrumento democrático, não deve ser utilizado como meio de segregação ou como direito de apenas um grupo social mais privilegiado. Dessarte, segundo o portal de notícias G1, a prefeitura de SP anunciou, no final do mês de agosto, a compra de 465 mil tablets para auxiliar o ensino a distância das redes públicas. Todavia, tamanho investimento não deveria estar restrito apenas a uma área do Brasil, e sim ser um pensamento coletivo para a melhoria da educação como um todo, já que a disparidade entre a educação privada e pública, mesmo em tempos sem pandemia, é um problema que afeta todo o território brasileiro.
Portanto, é necessária uma intervenção estatal para minimizar os impactos da pandemia na educação brasileira. Assim, cabe ao Ministério da Educação auxiliar na qualificação tecnológica dos educadores por meio de programas educacionais que incluam cursos de informática básica e dos softwares mais utilizados no ensino à distância - afinal, a tecnologia é um meio de potencializar o aprendizado - para que a queda qualitativa em relação ao ensino presencial seja reduzida. Também é dever das secretarias da educação, em parceria com a indústria de alta tecnologia brasileira, trazer para a realidade de todo o país o acesso à tecnologia necessária para a educação na época atual por intermédio de doações de tablets e notebooks educacionais para estudantes de baixa renda da rede pública - sabendo que, no século da tecnologia, a desigualdade ainda perdura - com a finalidade de tornar o meio tecnológico uma forma de garantir o direito à educação e a democracia.