Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 11/09/2020

Como consequência do isolamento social, que teve início no primeiro trimestre de 2020, em função da pandemia da doença infecciosa do novo coronavírus, muitos impactos na educação brasileira já são apontados e muitos ainda serão discutidos. Ainda que haja investimentos públicos, a imediatez da situação não proporcionou uma implementação qualitativa, apenas quantitativa - cumprir metas e alcançar números -, assim, é a desigualdade social, vinculada com aspectos regionais, econômicos e culturais, a palavra-chave desse urgente debate no país.

Em primeira análise, diante da necessidade de manutenção do processo de ensino, levanta-se como maior dificuldade por parte dos educadores constatar a eficiência de aprendizagem para a Educação Básica - principalmente aos anos iniciais, onde é mister a atenção do professor no progresso da criança. Na tentativa de adequação do calendário escolar, dispensou-se a obrigatoriedade dos duzentos dias letivos, através de uma medida provisória. Por conseguinte, há uma preocupação por parte daqueles relacionados ao meio escolar sobre a qualidade do ensino “às pressas” e sua consequência na vida dos estudantes, principalmente em regiões mais pobres ou menos urbanas. Ter uma boa conexão de internet tornou-se mais importante que uma com o professor.

Além da social, a desigualde digital é alvo de pesquisas, pois, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 96% dos alunos sem acesso a internet são de escolas públicas, o que, em outras palavras, quer dizer quem tem acesso ao aprendizado e quem não tem.  Em alguns estados, como o Paraná, parcerias com empresas de telefonia, e campanhas de doação permitiram acesso de boa parte dos alunos, entretanto, fatores como o suporte familiar, a alimentação, a saúde física e a saúde mental são problemas que vão além da questão do acesso tecnológico e estão fora do alcance da escolar virtual. Sobre o Dia Internacional da Alfabetização, a Unesco propõe um tema que busca refletir essa situação: “o ensino e a aprendizagem da alfabetização na crise da COVID-19 e além”.

Portanto, diante dos aspectos apresentados acerca das dificuldades da instituição escolar durante a pandemia, faz-se importante, por parte do governo, fornecer suporte e formação aos docentes, por meio de cursos com profissionais e pedagogos aptos sobre as ferramentas digitais, para, com devido preparo, viabilizar seu uso na educação a distância. Também, por parte das escolas, é fundamental a busca por retornos do aluno, atráves de plantões e grupos de estudo on-line, a fim de diagnosticar se houve aprendizado. Com essas medidas, espera-se obter o maior aproveitamento dos discentes no processo ensino-aprendizagem e minimizar os impactos do isolamento na educação brasileira.

Portanto, levando-se em conta os aspectos discutidos acerca da dificuldades enfrentadas em tempos de pandemia pela instituição social escolar, faz-se importante por parte do governo fornecer ao corpo docente formação adequada para melhor utilização das aulas virtuais, através de cursos com especialistas e pedagogos aptos no uso das ferramentas. E também, de forma similar, compete às escolas prover apoio ao aluno, como por meio de plantões e grupos de estudo, buscando-se retorno por parte da criança e da família (se for o caso) da aprendizagem. Podendo-se assim, com tais medidas, serem proporcionados um devido suporte aos educadores e o melhor aproveitamento possível aos discentes no processo ensino-aprendizagem a distância.