Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 15/09/2020

Devido à pandemia do coronavírus, as aulas foram suspensas, e surgiram novos modelos de ensino à distância (EAD) para suprir a necessidade educacional. Todavia, essa modalidade de ensino remoto traz impactos graves para a educação brasileira, como a dificuldade na ascensão social e na socialização de crianças.

Em primeira análise, o acesso desigual à internet no território brasileiro fomenta a manutenção da desigualdade social. Paulo Freire, filósofo e educador, propõe que não há mudança sem educação. Paradoxalmente,  o Estado, que deveria incentivar a educação, não disponibiliza internet para toda a população, consequentemente, milhares de brasileiros que não têm acesso ao meio digital são marginalizados da educação à distância. Sendo assim, a desigualdade social permanece, visto que as pessoas possuidoras de internet estão sendo privilegiadas em detrimento de outras que não possuem, logo, somente as primeiras “mudarão”, de acordo com Freire, estando as últimas fadadas ao imobilismo social.

Ademais, o EAD retira das crianças uma importante ferramenta de sociabilização. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o ambiente escolar é fundamental na formação do indivíduo social, pois incute valores e comportamentos socialmente aceitos. Sob essa ótica, com a paralisação escolar e a substituição do ambiente estudantil por plataformas de EAD, como o Google Meeting, as crianças são as mais afetadas, na medida em que elas estão em processo de consolidação de comportamentos e valores, o que é comprometido, seguindo a lógica de Durkheim, pela supressão do convívio escolar.

Urgem, portanto, medidas que aperfeiçoem o EAD no Brasil, como alternativa para diminuir o impacto da pandemia na educação brasileira. O Estado deve democratizar o acesso à internet, por meio de parcerias com empresas privadas, promovendo incentivos financeiros para que elas se espalhem pelo território, com o fim de diminuir a desigualdade social ampliada na pandemia.