Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 12/09/2020
De acordo com o pensamento do filósofo e pedagogo brasileiro Paulo Freire, que diz: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, é possível relacionar essa ideia ao contexto atual do Brasil, em que a obrigatoriedade do isolamento social em razão da Covid-19, gera impactos diretos na educação brasileira, acentuando a desigualdade entre os alunos e se opondo à Constituição Federal, que garante o direito à educação a todos os brasileiros.
Em primeiro lugar, o panorama hodierno do Brasil e do mundo encontra-se forçado a se adaptar às formas digitais de interagir, ensinar e aprender. No entanto, essa forma de ensino remoto não é acessível a todos os estudantes. Segundo o IBGE, 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet. Dessa forma, a perda do ano letivo implica em consequências irreparáveis na formação escolar dos discentes, além de ser inconstitucional, tendo em vista que é dever do Estado garantir o direito à educação. Ademais, é válido ressaltar que a desigualdade educacional entre o ensino da rede pública e da rede particular será intensificada, prejudicando os alunos da rede pública nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que permite o ingresso no ensino superior.
Outrossim, é inegável que o ambiente escolar é fundamental para o desenvolvimento social de crianças e adolescentes, onde serão formados cidadãos detentores de senso crítico, que possuem valores éticos de cidadania. Os quais, posteriormente, refletirão no futuro da sociedade brasileira. Portanto, com base no pensamento do educador Paulo Freire, a educação é capaz de mudar a pessoas, e as pessoas são capazes de transformar o mundo. Sendo assim, para ocorrer mudanças e transformações sociais é imprescindível que a educação seja consolidada de forma igualitária.
Em síntese, conclui-se que a educação não pode ser restrita apenas a um determinado grupo social, e sim acessível a todos os indivíduos. Destarte, é necessário que haja políticas interventivas a fim de mitigar os impactos da pandemia na educação brasileira. Tais políticas devem ser mediadas pelo Ministério da Educação em conjunto com o Governo Federal, por meio de investimento em infraestrutura, como computadores e acesso à internet, destinados aos alunos desfavorecidos pelo ensino à distância. A fim de garantir o direito à educação, assegurado pela Constituição e promover a diminuição da desigualdade social no Brasil.