Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 15/09/2020

A educação é um direito básico e principal ferramenta na garantia da cidadania. Nesse contexto, cabe ao Estado garantir o acesso e manutenção desse direito. Sendo assim, devido as mudanças nas dinâmicas sociais, a modalidade de ensino à distância (EAD) entrou em debate. Contudo, entraves sociais, econômicos e estruturais são barreias que devem ser discutidas e avaliadas nesse momento. Será que a sociedade brasileira atual está preparada para os novos desafios de ensino?

Primeiramente, é notável ressaltar que as ferramentas on-line nem sempre são garantidas de forma igualitária, grupos sensíveis de baixa renda tem dificuldade ao acesso digital, com isso, o agravamento da desigualdade. Diversos trabalhos avaliam negativamente a estrutura da internet brasileira, e mais de 42% dos lares não possuem um computador, uma ferramenta básica para o ensino à distância. Em paralelo, algumas regiões mais ricas esse dado pode saltar até para 90%, isso demonstra o abismo dentro da sociedade.

Dado ao exposto, migrar de modelo para o outro não é simples. Existem mecânicas de ensino que devem ser respeitadas e em muitos casos individualizada, em vista disso, nem sempre é possível serem reproduzidas no EAD. Desse modo, os professores devem possuir capacitação especial, por se tratar de uma dinâmica de ensino totalmente diferente do modelo tradicional. Não considerando essa característica distinta da população brasileiras o EAD estará indo de desencontro aos interesses públicos.

Portanto, torna-se evidente o impacto negativo do ensino a distância. Assim, faz-se necessária a atuação do Governo Federal para legislar em favor de garantir o acesso aos grupos sensíveis, desenvolver projetos de inclusão aos meios digitais, através de ONGs ou por financiamento individual e capacitar professores aos desafios do novo modelo de ensino. Somente assim, será garantido o acesso as novas formas de educação de forma igualitária e coesa.