Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 17/09/2020

Na série de livros “Harry Potter”, de J. K. Rowling, o protagonista, enquanto reside na casa de seus tios, vive momentos de opressão quanto ao acesso de uma educação adequada. Fora da ficção, percebe-se que, assim como Harry, diversas crianças e adolescentes, no cenário de enfrentamento à pandemia de Covid-19, não possuem acesso a esse direito constitucional. Diante disso, fatores como o descaso estatal, além da negligência familiar, favorecem a existência da problemática. Percebe-se, assim, o quão necessário é o debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira.

Em primeira análise, faz-se importante destacar o descaso estatal como promotor do problema. Sob esse viés, o sociólogo alemão Dahrendorf, no livro “A Lei e a Ordem”, afirmou que a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perde sua validade. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se que, por vezes, os decretos que garantem que a educação brasileira, no período de quarentena, não enfrente problemas encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, as vezes, sem qualquer punição ao infrator. A exemplo disso, estão os casos em que estudantes não recebem apoio adequado dos educadores para a continuidade do ano letivo, em casa. Vê-se, dessa maneira, a necessidade de mudanças nesse cenário.

Além disso, é válido acrescentar a negligência familiar como intensificadora da questão. Isso porque, de acordo com o psicanalista Jacques Lacan, a família desempenha um papel primordial na humanização do individuo e na criação de ideais. Sendo assim, interpreta-se que, caso o estudante esteja inserido em um meio familiar, no qual não é incentivado a continuar estudando e nem auxiliado nessa tarefa, há grandes chances de cogitar-se a desistência, uma vez que a concepção de “ano escolar perdido” torna-se, cada vez, mais presente no pensamento de estudantes brasileiros. Isso dado que são encontradas maiores dificuldades na aprendizagem por meio do ensino remoto. Verifica-se, desse modo, a notoriedade do incentivo familiar na educação dos indivíduos nesse período emergente.

Portanto, medidas são necessárias para modificar esse impasse, provocado pela pandemia de Covid-19 na educação brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, com o auxílio do Governo Federal, a criação de avaliações, que deverão ser aplicadas nas escolas, com o intuito de identificar os estados com menor índice de aprendizado, para a discussão de mudanças em posteriores debates onlines. Além disso, ao núcleo familiar, convém o diálogo sobre as dificuldades educacionais e, consequentemente, o auxílio no que for possível, bem como a incrementação de atividades grupais que excitem o desenvolvimento de leituras e críticas. Só assim, o Brasil apresentará taxas educacionais satisfatórias, na quarentena, e caminhar rumo a um futuro promissor.