Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 17/09/2020

No período joanino, percebe-se que o rei Dom João preocupou-se em trazer a Biblioteca Real de Portugal para o Brasil, mostrando a importância da educação para a sociedade brasileira. No entanto, na atual conjuntura  de pandemia no país, percebe-se que essas atitudes, no campo da educação, não são tomadas de maneira prioritária. Por conseguinte, entende-se o elevado índice de cidadãos que estão sem acesso a sabedoria desde o início da quarentena.

Nesse sentido, vê-se que a máxima de Hannah Arendt, a qual destaca que as instituições públicas - como a educacional - têm que serem completamente inclusivas a todos, não é aplicada no Brasil. Isso acontece, pois, desde o início do confinamento social, as escolas, principalmente, das esferas públicas, não pensaram em projetos educacionais imediatos que poderiam continuar com as aulas por meio de um ensino remoto e, por consequência, causar menos danos no processo educativo  dos cidadãos. Comprova-se esse cenário por intermédio do jornal ‘‘O Globo’’, o qual afirma que o Brasil foi um dos países mais morosos no que tange ao processo de se mobilizar para a implantação do ensino à distância no corpo social. De fato, tal contexto se enquadra  ao livro 1984 de George Orwell, onde mostra que o governo não está preocupado em investir na educação, pois essa é capaz de tirá-lo do poder. Em suma, a pandemia distanciou milhares de brasileiros dependentes desse ensino do saber.

Dentro dessa perspectiva, verifica-se que, segundo o revolucionário Nelson Mandela, a educação é a mais poderosa arma para se mudar o mundo. Diante desse contexto, compreende-se que a importância dessa ferramenta para a formação crítica do indivíduo, tendo em vista que, por meio dela, é possível questionar o poder. Em meio a essa análise, entende-se o motivo pelo qual o Estado não tem prioridade, na maior parte dos casos, de investir nesse sistema remoto, já que ele forma pensadores críticos que podem depôr o poder. Isso tem como desdobramento, com base no site ’’ Economia.uol’’, o índice alarmante de pessoas que estão, desde o início da pandemia, sem o acesso à educação. Em síntese, os estudantes brasileiros estão semelhantes ao personagem Fabiano, do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos porque ele  representa a sociedade à margem  das prioridades governamentais.

Portanto, enquanto o Estado não se mobilizar para reverter o quadro precário da educação brasileira na pandemia, muitos cidadãos estarão na mesma posição que Fabiano. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela educação nacional - por meio de professores qualificados, promover projetos de educação ‘‘online’’, por intermédio de plataformas e recursos essenciais para o aprendizado, a fim de que os cidadãos consigam acessar ao conhecimento. Assim, poder-se-á resgatar governos que se preocupam com a educação, como ocorreu no período joanino.