Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/09/2020

Desde o início da carreira, o educador brasileiro Paulo Freire já reconhecia o poder da educação, segundo ele, ‘’se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda’’. Na lógica de Freire e dentro do contexto da pandemia da ‘’COVID-19’’, existe um prospecto de perdas inestimáveis em razão da crise no sistema educacional no aspecto intelectual do país e, sobretudo, social, para os que integram classes mais vulneráveis.

A priori, é preciso ressaltar que, no que tange, principalmente, à precariedade da realidade da educação pública no contexto pandêmico, existe um risco eminente de perdas em longo prazo. Nesse sentido, segundo apontado por um estudo divulgado pelo Instituto Ayrton Senna, o custo anual da evasão escolar no Brasil é de 3% do PIB anual, geralmente em perdas de capital intelectual e pesquisas, por exemplo. Em poucas palavras, dentro da perspectiva educacional desanimadora desde o novo coronavírus, que pode significar um não retorno de alunos vulneráveis, não apenas estudantes perderão a oportunidade de concluir o ensino formal, mas o patrimônio em conhecimento do país sofrerá inestimáveis impactos.

Em uma lógica semelhante, principalmente no que concerne à situação dos estudantes mais pobres, existem, também, impactos sociais significativos, como a questão da segurança alimentar. Nesse aspecto, o próprio Congresso brasileiro fez notar o problema e providenciou a distribuição de merendas em escolas da rede pública desde o início da pandemia. Contudo, não apenas o Brasil lida com a vulnerabilidade alimentar desses indivíduos: a América Latina como um todo precisou mobilizar-se para amparar a causa. Semelhantemente ao apontado pelo livro de García Márquez, ‘’100 anos de solidão’’, em que os personagens estão presos a ciclos de pobreza que se repetem por gerações desde a intervenção colonizadora, na América Latina existe, ainda, muita desigualdade que, como defende Freire, pode e deve ser transformada com o que a educação tem a oferecer.

Dessa maneira, são evidentes os impactos sociais e intelectuais trazidos pelo novo coronavírus ao contexto educacional. Portanto, cabe ao Congresso Nacional desincentivar a evasão escolar por meio de incentivos fiscais que prestem ajuda financeira a famílias com filhos estudantes de escolas públicas, de modo que eles não precisem trabalhar para complementar essa renda e possam dedicar-se ao que recomenda a escola. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) deverá criar um plano efetivo que, pelo desenvolvimento de material atualizado conforme as necessidades atuais, minimize as perdas desses alunos após o retorno efetivo. Assim, finalmente, serão mitigados os reveses da pandemia no sistema educacional brasileiro.