Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 19/09/2020
A pandemia instalada no Brasil atingiu de maneira alarmante todos os âmbitos sociais, inclusive a educação. Diante desse cenário, urge a necessidade de discussões para encontrar abordagens capazes de minimizar os prejuízos que impactaram o processo de ensino. Nesse sentido, nota-se que os principais efeitos são o aumento da evasão escolar e o aprofundamento da desigualdade social.
Em primeiro plano, é válido destacar que a educação é um direito de todos e dever do Estado, conforme a Constituição Federal (1988). No entanto, vê-se que a promoção desse direito está fragilizada devido a falta de uma política de acesso à internet mais igualitária. Sabe-se que com o fechamento das escolas o processo de aprendizado sofreu algumas adaptações, como o desenvolvimento de aulas remotas, porém, sem um canal de comunicação viável para todos os estudantes, esse novo formato de torna desigual. Dessa forma, além de prejudicar muitos alunos, essa ação ineficiente pode desencadear um processo de desmotivação nos estudantes fomentando a evasão escolar.
Ademais, deve-se salientar que essa crise do corona vírus evidenciou ainda mais a gigante desigualdade existente entre o ensino público e privado. Essa realidade permanente é a mesma relata no documentário “Pro dia nascer feliz” de João Jardim em 2005, o qual apresenta depoimentos de alunos e professores denunciando o abismo entre a qualidade do ensino básico público e privado. Hoje, percebe-se que a ausência de ferramentas tecnológicas para gravar aulas e o despreparo dos educadores e gestores diante dessa situação desafiadora, contribuem para a manutenção da desigualdade social, visto que impedem que a educação pública seja de qualidade e democrática.
Entende-se, portanto, que os impactos da pandemia na educação brasileira podem ser minimizados com abordagens viáveis oriundas de debates. Para isso, o Governo deve possibilitar que todos os alunos tenham acesso a internet, isso pode ser feito por meio da distribuição de chips para que os alunos possam assistir as aulas em suas casas por qualquer aparelho celular e baixar as listas de exercícios. Além disso, o Ministério da Educação precisa remanejar verbas para comprar aparelhos tecnológicos de qualidade, bem como promover cursos de capacitação para os professores aprenderem a ministrar aulas, tirar dúvidas e enviar atividades via internet. Assim, o direito a educação assegurado por lei será preservado mesmo em tempos de pandemia.