Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 01/10/2020

O nível da escolaridade brasileira nunca foi a melhor do mundo, e também não se destacava entre as melhores. A educação não é mais a mesma depois da pandemia do corona vírus (COVID-19). E isso fica claro a partir de uma série de pesquisas no Brasil e em outros países que já conseguiram dimensionar o impacto da paralisação das aulas presenciais.

Diante do risco representado pelas aglomerações, comuns na educação presencial, autoridades decretaram medidas bastante rígidas, começando por férias e suspensão temporária das aulas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), agência da ONU responsável por acompanhar e apoiar a educação, comunicação e cultura no mundo, a pandemia da COVID-19 já impactou os estudos de mais de 1,5 bilhão de estudantes em 188 países – o que representa cerca de 91% do total de estudantes no planeta.

Com o fechamento das instituições de ensino, toda a dinâmica de aulas, exercícios e avaliações teve de ser repassada ao ambiente virtual. Portanto, ocorreu uma digitalização da área, de forma apressada e, em alguns locais, sem a estrutura adequada para que a educação a distância (EaD) produzisse resultados de qualidade. Os efeitos foram sentidos em maior escala pelos estudantes e professores da educação básica pública, muitos dos quais não empregavam qualquer mecanismo digital antes da atual crise.

No entanto, também precisaram se adaptar às atividades 100% online, aproveitando apps para se reunir e apresentar trabalhos em grupo e até os seus TCCs (trabalhos de conclusão de curso). Faculdades da rede pública e privada precisaram orientar os educadores na preparação das aulas e outros conteúdos digitais para os alunos.

Uma questão a se pontuar é a desigualdade gigante entre os sistemas públicos e privados da educação básica e a própria distância social entre as famílias dos estudantes. Enquanto alunos de escolas particulares aprendem por meio de diversos recursos e estratégias combinadas, como vídeo ao vivo ou gravado, envio de tarefas, mentoria e sessões em grupos menores para tirar dúvidas, muitos estudantes das escolas públicas sequer têm acesso à internet. Os alunos de escolas públicas não tiveram a oportunidade de continuar os estudos mesmo à distancia por motivos como desigualdade entre muitos alunos. A grande maioria tem condições bem baixas e não possuem nem mesmo uma rede Wifi. A questão dessa grande desigualdade foi o que mais afetou a educação nesse ano de 2020 no Brasil, como os prejudicados estão estudando? E com relação ao vestibular?