Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 22/09/2020
Atualmente, o planeta vive a crise do covid-19, em que medidas governamentais, como as de isolamento social, foram implementadas para minimizar os riscos de contaminação. No Brasil, infelizmente, tal fato afetou profundamente a educação brasileira, com a introdução do ensino remoto, haja vista que tanto os professores como os estudantes não estavam preparados para esse cenário desastroso. No entanto, nem todos os alunos foram contemplados com essa nova modalidade de ensino, o que dá margem para a exclusão dessas pessoas dos benefícios que a educação proporciona.
Em primeiro lugar, os efeitos da pandemia por covid-19, pelo isolamento, ocasionou uma mudança no modo como os estudantes aprendem. Isto é, até a aplicação desse isolacionismo, eles dependiam principalmente do auxílio e da interação dos professores, seja por meio da exposição das aulas, seja por meio do esclarecimento de dúvidas presencialmente. Todavia, com a disseminação do vírus, os alunos tiveram que se adaptar ao mundo digital, às aulas online. Nesse sentido, muitos professores, de todas as redes públicas e particulares, não possuem a qualificação necessária para lecionarem virtualmente, até porque ninguém esperava que, imprevisivelmente, o ensino tradicional fosse paralisado. Isso, tristemente, afeta a qualidade de ensino dos aprendizes brasileiros, já que a educação promove a ascensão social e econômica dos indivíduos, tanto pelo acesso à cultura quanto ao trabalho. Dessa forma, há a iminência de se frear o desenvolvimento sócio-econômico nacional.
Em segundo lugar, cabe ressaltar que nem todos os segmentos da população tem acesso às plataformas digitais, educacionais. Um dado importante do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA) mostra que 38,7 milhões de estudantes estão matriculados no ensino público. Outro dado relevante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que só 42% das classes pobres da sociedade possuem acesso à internet. Tais levantementos esclarecem o enorme desfavorecimento desses alunos de baixa renda, matriculados no ensino gratuito, os quais majoritariamente estão excluídos do privilégio de se adquirir conhecimento e de terem um bom emprego. Dessa maneira, haverá o aumento das desigualdades econômicas e sociais existentes na nação.
Diante do exposto, cabe ao Ministério da Educação oferecer aos professores brasileiros, por meio de seminários à distância, uma preparação adequada para qualificá-los a lecionarem de forma remota, com o objetivo de engajá-los a educar os alunos da melhor maneira. Ademais, o Ministério da Economia deve auxiliar os alunos carentes, por meio de pacotes financeiros, com internet banda larga, para que eles tenham entrada no mundo virtual e, consequentemente, no ensino digital. Assim, todos, na pandemia, serão beneficiados com o acesso à educação, promovendo a igualdade econômica e social.