Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 22/09/2020

Historicamente, o mundo é marcado por inúmeras doenças e pandemias avassaladoras para a humanidade. A Peste Negra, ainda no período medieval, dizimou grande parte da população da Europa, e a Gripe Espanhola, no século XX, também assustou toda a população mundial com o enorme número de mortes. Já nos dias atuais, outro vírus intimida a sociedade em nível global, o Sars-Cov-2, popularmente conhecido como coronavírus já contaminou milhares de pessoas em todo o mundo,  provocando inúmeras mortes e levando diversos impactos para a sociedade, desde efeitos diretos na saúde até mesmo a prejuízos na educação. Esta, precisou passar por mudanças e adaptações a fim de manter o ensino durante uma pandemia, mas demanda urgentemente por atenção e melhorias .

Em primeira análise, é válido lembrar que a educação brasileira vive na desigualdade de oportunidades desde os primórdios do ensino no país, devido principalmente, a falta de atenção e recursos destinados a este setor por parte dos governos. Entretanto, o ensino privado sempre deteve de inúmeros meios para a promoção do ensino de excelência. Nesse sentido, é válido mencionar que grande parte da população que usufrui do ensino público não possui sequer acesso à internet. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, apenas 42% das classes “D” e “E” estão conectadas, enquanto os alunos da rede privada possuem aulas ao vivo, gravadas e todo apoio virtual para o aprendizado. Portanto, fica evidente a existência de um enorme abismo no processo de ensino-aprendizagem entre a educação pública e privada no atual cenário do país.

É preciso lembrar também que o artigo 205 da Constituição Federal de 1988 garante que a educação é um direito de todos e um dever do estado. No entanto, garantir o acesso a educação à todos em um país tão desigual socialmente não é uma tarefa fácil, e utilizar do ensino remoto por meio da internet acabou se tornando falho, aumentando o número da evasão escolar e aumentando principalmente, a desigualdade de oportunidades.

Por fim, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, é preciso que o Ministério da Educação em parceria com o setor privado popularizem o ensino a distância com a distribuição gratuita de computadores e tablets àqueles que estão em situação de vulnerabilidade escolar. Além da distribuição gratuita de internet por meio de chips e cabos, garantindo assim que toda a população do país esteja conectada e tenham acesso à aulas e materiais de ensino virtual. Dessa forma, como o sociólogo Manuel Castells afirma no livro “Sociedade em rede” é possível criar uma descentralização do conhecimento e criar um rede de troca, de interação e minimizar toda a desigualdade que o país enfrenta.