Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 23/09/2020
A pandemia do novo corona vírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan no final do ano de 2019, tem causado impactos na política, economia, cultura, saúde e educação nos países afetados pelo SarsCov-2. No que tange á educação brasileira, os debates sobre a evasão escolar e a qualidade do Ensino Remoto Emergencial (ERE) estão cada vez mais recorrentes nos meios midiáticos, uma vez que esses foram acentuados devido, respectivamente, à desigualdade e ao despreparo das instituições - educacionais e familiares.
Bem como retratada no documentário “Pro dia nascer feliz” dirigido por João Jardim em 2007, a desigualdade social se faz presente no sistema educacional brasileiro e há uma enorme discrepância entre as escolas públicas e privadas. Essa realidade foi ainda mais evidenciada com a atual conjuntura de pandemia, na qual os alunos tiveram que desenvolver um estudo mais autônomo, que é dificultado -majoritariamente nas escolas públicas - devido à falta de materiais didáticos, suporte tecnológico e psicoeducacional. Todos esses fatores colaboram com o aumento da evasão escolar, uma vez que os estudantes se sentem desamparados pelo governo, esse que é responsável por fornecer educação a todos, como previsto no Art. 6º da Constituição Federal.
Além disso, a educação brasileira possui um método tradicional de ensino, ou seja, os recurso tecnológicos são pouco utilizados na maioria das escolas, pincipalmente naquelas que possuem menos recursos financeiros. Por isso, professores, alunos, gestores e familiares tiveram que se reinventar e se adaptar com as novas ferramentas tecnológicas que surgiram na tentativa de mitigar os impactos que a perda de um ano letivo traria. Contudo, o despreparo desses - que não possuíam capacitação específicas e nem acesso a tais tecnologias - tornaram o processo de adaptação mais difícil, afetando assim a qualidade do aprendizado que o ERE tem fornecido.
Pode-se compreender que são muitas as discussões sobre os desdobramentos da pandemia na educação brasileira. Portanto, é necessário que o Estado brasileiro proporcione mais investimentos nas escolas públicas por intermédio de materiais didáticos de qualidade, ferramentas tecnológicas - tablets, lousas digitais, bibliotecas virtuais, vídeo aulas - e na capacitação dos professores para utilizarem esses recursos, a fim de reduzir o abismo existente em relação à escolas privadas e melhorar a qualidade de aprendizado. É imprescindível, também, que o Ministério da Educação (MEC), junto às instituições de ensino, sensibilize os discentes, por meio de palestras e projetos, sobre a importância da educação na formação do indivíduo para que haja uma diminuição nos números da evasão escolar; pois assim também haverá menos cidadãos de papel fora da ficção de Gilberto Dimenstein.