Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 23/09/2020

A quarentena imposta pela pandemia do coronavírus foi a responsável por reconfigurar a rotina do estudante brasileiro, substituindo as salas de aula por plataformas digitais de ensino remoto. Apesar dessa alternativa não ser novidade, vide à sua utilização nos ensinos técnico e superior, a sua abruta implantação, dentro do ensino regular, explicitou a disparidade existente entre a educação privada e pública, sendo está profundamente prejudicada.

Devido às exigências tecnológicas que o ensino remoto demanda, como a utilização de computadores, tablets, ou celulares, apenas os que possuem tais artefatos conseguem ter acesso aos conteúdos escolares, excluindo assim uma significativa parcela da população que não os possuem. Estes, que em sua maioria vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica, acabam sujeitos à evasão escolar, contrariando o direito universal à educação, previsto na atual constituição.

Aos que possuem os equipamentos, mas estudam em escolas públicas, outros fatores são responsáveis por prejudicar seu aprendizado, como a escassez de materiais didáticos e a falta de treinamento dos professores para a utilização de mídias digitais. Tais dificuldades são completamente relacionadas ao sucateamento das instituições públicas, e acabam sendo agravadas diante da atual conjuntura, marcada por uma grande incerteza econômica.

Logo, é preciso democratizar o acesso ao ensino remoto, priorizando-o às populações marginalizadas. Essa iniciativa pode ser desenvolvida com a criação de um Sistema unificado de educação, que seria responsável pela distribuição de equipamentos essenciais à integração digital dessas comunidades. Outro aspecto fundamental é a valorização do profissional da educação, aumentando a sua remuneração, e disponibilizando cursos de capacitação digital. Dessa forma, a tecnologia utilizada em finalidades didáticas torna-se uma eficiente ferramenta de combate à segregação social que assola o país.