Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 24/09/2020

Ansiedade, angústia, incerteza e medo são os sentimentos, rotineiramente, experimentados pelos alunos brasileiros no período de isolamento social. Neste sentido, resta evidente que a Pandemia do COVID-19 impacta, de maneira brutal, a educação tupiniquim, principalmente nos ambientes públicos de ensino. Isto porque, existe um abismo estrutural e organizacional muito grande entre as instituições de ensino públicas e privadas no Brasil, como também uma desigualdade social imensa neste país. Em razão de tal fato, nota-se que a evasão escolar e o trabalho infantil, em terras verde e amarelas, deve crescer vertiginosamente nos anos pós-pandêmicos. Dessa forma, fica patente que é preciso que o Estado crie políticas públicas e programas sociais que facilitem o acesso a educação digital e evitem a fuga das salas de aula.

Inicialmente, cumpre esclarecer que a Pandemia do COVID-19 tornou mais claro o abismo social, educacional e de oportunidades que separam os alunos de escolas privadas e públicas. Isto porque, enquanto os alunos privados, em sua maioria das vezes, têm acesso a hardwares, softwares, aulas virtuais e a professores cada vez mais adaptados e capacitados, os estudantes públicos, em parte, não possuem um computador, não têm internet de qualidade, ou sequer possuem acesso a aulas EAD, por conta da falta de estrutura de suas instituições de ensino. Por fim, para corroborar tais afirmativas, vale destacar um dado de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no qual restou comprovado que 1 a cada 4 brasileiros não tem acesso a internet, em sua maioria pobres e ruralistas.

Noutro caminho, urge ressaltar que, tendo em vista a referida falta de estrutura ofertada aos alunos de instituições públicas, bem como graças aos impactos sociais e a crise econômica gerados pela Pandemia, a evasão, na escola pública brasileira, deve aumentar de forma exponencial. Uma vez que, sem acesso as aulas virtuais, muitos estudantes estão perdendo o ânimo para finalizar o ano letivo de 2020, bem como, cada vez mais alunos terão de trabalhar a fim de complementar a renda de suas famílias. Ademais, para justificar o abismo que separa alunos públicos dos privados, vale destacar que o Brasil é o 2º país em desigualdade social no mundo, segundo relatório encomendado pela ONU.

Diante do exposto, é evidente que a Pandemia impacta, frontalmente, a educação pública brasileira. Por fim, para mitigar as consequências de tal realidade, é necessário que os Governos Federal, Estaduais e Municipais, imediatamente, garantam que os alunos de instituições públicas tenham amplo acesso, em suas casas, a hardwares, softwares, internet e a aulas EAD, por meio de disponibilização de equipamentos, materiais, professores treinados em ambientes virtuais e de parcerias publico-privadas com Empresas de telefonia, a fim de baratear e democratizar o acesso aos sítios virtuais.