Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 25/09/2020
De acordo com o artigo 5 da Constituição Federal Brasileira de 1988, todo cidadão brasileiro tem direito à educação. Mesmo diante dessa prerrogativa, observa-se uma dificuldade de acesso ao ensino por parte da população, situação que foi agravada em tempos de pandemia. Em decorrência do isolamento social necessário para achatar a curva de contaminação, as escolas enfrentam um desafio de adaptação às mudanças no mundo.
Em primeiro plano, nota-se uma reação rápida por parte de escolas particulares em ofertar aulas virtuais para seus alunos, enquanto estudantes de escolas públicas, em sua maioria, não gozam de tal privilégio, devido, principalmente, à falta de tecnologias e investimentos em tais instituições. Nessa ótica, acompanha-se um aumento da diferença na qualidade de ensino em que os discentes brasileiros usufruem. Nesse contexto, fica evidente a necessidade de reflexão sobre uma afirmação do filósofo Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, em que percebe-se a limitação das possibilidades de alguns brasileiros que não tem seu direito à educação garantido principalmente em tempos em que não há cursos e aulas ofertadas a eles.
Em segundo plano, o processo de crescimento de plataformas digitais acelerou-se fruto das mudanças acarretadas pelo COVID-19. Muitas pessoas que não vislumbravam a possibilidade de estudar com aulas à distância, agora encaram essa mudança que pode tornar-se permanente para muitas pessoas e instituições. Analogamente, o mercado de trabalho tem passado por tais mudanças por um período maior de tempo, desde meados de 2010, em que as empresas optam por uma flexibilidade maior de locais de trabalho para seus empregados e empregadores, prática conhecida como telecommunting. Assim, a pandemia acelerou as mudanças, principalmente, no modelo de ensino vigente, que deve transformar-se em mais flexível e virtual.
Portanto, o vírus impactou de forma drástica a educação brasileira, gerando tanto desafios na oferta desse serviço quanto catalisando a mudança já presente nessa área. Dessa forma, apresenta-se como necessário para superação de tais dificuldades: o investimento de recursos financeiros por parte do governo brasileiro na obtenção de tecnologias, como computadores e serviços de internet, tanto para escolas públicas conseguirem ofertar cursos online quanto para que os alunos tenham a possibilidade de acessá-los e, também, o legislativo deve elaborar leis que garantam a regulação de tais serviços para haver um ensino melhor e mais amplo a todos brasileiros.