Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 29/09/2020

Em 2020, a sociedade foi surpreendida por uma pandemia viral. Desse modo, de um dia para o outro, houve a necessidade de adaptação do trabalho e estudos em casa e uma nova rotina. Entretanto, a educação brasileira, que já tem uma diferença enorme entre a rede privada e pública, enfrenta mais problemas ainda que impactam negativamente as crianças e os jovens. Nesse contexto, a falta de acesso de internet por parte da população mais pobre e a necessidade de habilitação dos professores às aulas online são fatores que agravam a situação.

É fato que os alunos de escolas privadas, ou seja, a parte com mais dinheiro da sociedade, estejam usufruindo de toda a tecnologia à dispor e não a tendo como um inimigo no momento. Porém, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nas classes “D” e “E”, somente 42% das pessoas possuem acesso à internet. Na questão, portanto, da adaptação dos alunos da rede pública já há um tremendo impasse. Com o ensino à distância, as aulas muitas vezes são ao vivo, as tarefas entregues por meio de sites e avaliações também, o que já não é acessível a esses alunos. Assim, não há problemas só em relação ao modelo e suas dificuldades, há o problema básico de parte da população não ter nem meios de acessar essa educação.

Além disso, há a necessidade dos professores de um treinamento para o melhor aproveitamento das ferramentas que o mundo ‘online’ possui. Tanto os docentes mais jovens quanto os mais velhos talvez não possuam o conhecimento de como tirar proveito das aulas remotas, nem como preparar e postar material de maneira correta às turmas. A adaptação a esse tipo de modelo não é simplesmente colocar todos em uma plataforma de reuniões na internet, é ter um planejamento específico com todas as adversidades e facilidades em mente, de modo que todos compreendam e que seja didático.

Então, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe às empresas privadas de telefonia e internet fazerem, em colaboração com o Ministério da Educação e Cultura, planos acessíveis e promocionais para famílias que possuem estudantes que necessitam de acesso, a fim de diminuir o número de pessoas sem acesso à rede. Também é dever das Secretarias Municipais de Educação fornecer um atendimento e treinamento ao corpo docente ligado à rede pública escolar para que o ensino seja sistematizado e otimizado, de modo que ninguém fique perdido e prejudicado por causa da tecnologia. Dessa maneira, faríamos com que a única surpresa esse ano seja a pandemia e não um prejuízo tão grande na educação de nossos futuros cidadãos.