Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 05/10/2020
Sigmund Freud, importante neurologista e criador da psicanálise, atribuía caráter fundamental ao inconsistente, que regia a mente humana e era formado ainda nos primeiros anos de vida. Segundo Freud, distúrbios comportamentais e sociais poderiam ser resultados de atos cometidos na infância e a educação básica era fundamental para reger a vida futura do indivíduo. Entretanto, o COVID-19 instaurou uma pandemia que paralisou o sistema educacional, com isso, faz-se necessário a análise dos impactos irreversíveis desta paralização na educação, principalmente ao que tange a vida social do indivíduo e o aumento da desigualdade.
De fato, é inquestionável a desigualdade educacional amplificada pela pandemia, já que, ao contrário das escolas particulares, a rede pública, devido a sua abrangência e complexidade, demorou a se adaptar. Ainda assim, alunos das escolas pública que não possuem acesso à internet não conseguiram receber matérias de apoio de forma efetiva. Ademais, um espaço físico destinado aos estudos, privacidade e apoio familiar durante a paralização também criou um hiato irreversível, tendo em vista que os alunos do terceiro ano do ensino médio não terão uma isonomia na educação, tendo um severo impacto nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, o que culmina em resultados permanentes na vida do indivíduo.
Além disso, a falta de socialização no ambiente escolar cria severas condições precárias à saúde mental, já que durante a vida escolar, o indivíduo consegue conviver com ideias contrárias, resolver problemas socias e aprender a lidar com a sociedade. Em alicerce, as mudanças bruscas no Ministério da Educação criaram um ambiente de insegurança, com informações contraditórias e falta de conhecimento sobre a realidade estudantil. Tais fatores podem ainda distanciar o Brasil de outras nações com estruturas fortes, perpetuando a mediocridade de um país emergente que ocupa o ultimo quartil do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, PISA.
Portanto, é nítida a amplitude dos impactos irreversíveis causados na educação durante a pandemia, com um agravamento da desigualdade e uma supressão do convívio social nas escolas. Sendo assim, faz-se necessário que o Ministério da Educação em conjunto ao Ministério da Economia criem um programa de parcerias com a iniciativa privada, incentivando empresas a ajudarem a rede pública com o fornecimento de aparelhos eletrônicos e material educacional, em troca haverá grandes incentivos fiscais para as companhias empenhadas. Ademais, as secretárias educacionais municipais devem formular um plano de emergência para lidar melhor com futuros percalços. Com isso, teremos uma maior isonomia na educação e um preparo para eventos futuros.