Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 06/10/2020

No livro “Os Sertões” publicado em 1902, o autor Euclides da Cunha visa criticar a existência de dois Brasis no âmbito da época, um da elite privilegiada e detentora do capital cultural, outro dos menos favorecidos e esquecidos pelo Estado. Fora do campo literário, a realidade descrita na obra pré-modernista persiste até os dias atuais, visto que os impactos na educação durante a epidemia global do Covid-19 estão diretamente ligados as condição sócio-econômicas dos brasileiros. Dessa forma, urge a necessidade do debate das causas e consequências acerca da problemática.

Primeiramente, evidencia-se a disparidade social como maior obstáculo para o ensino remoto. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 prevê que a educação é um direito a ser cumprido pelo governo. Entretanto, grande parte dos alunos estão nas estatísticas de exclusão ao acesso à internet, ferramenta crucial das aulas a distância, por isso é inconstitucional que o poder público não garanta as estruturas necessárias para os alunos carentes verem seu direito assegurado. Logo, não é razoável que essa vulnerabilidade permaneça em um país que almeja torna-se uma pátria educadora.

Em segundo plano, salienta-se como as questões psicológicas vêm prejudicando o desempenho estudantil na pandemia. Nesse contexto, segundo uma reportagem da Cable News Network (CNN), a pressão escolar no cenário atual tem aumentado os casos de ansiedade e depressão entre os estudantes. Sob tal ótica, é inaceitável que as instituições de ensino imponham um ritmo frenético ,para repor os conteúdos perdidos, em detrimento da saúde mental de seus alunos. Assim, as pressões curriculares exacerbadas inviabilizam o aprendizado saudável e colocam os jovens à mercê dos transtornos psíquicos evitáveis.