Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 10/10/2020

A pandemia transformou o panorama da educação no Brasil e no mundo.  Aulas canceladas, cenário semelhante a este, somente na época da Gripe Espanhola, que assolou o mundo na década de 20. É certo que a educação é um direito resguardado na Carta Magna de 1988, um direito de toda criança e adolescente. Porém, ela não chega para todos na mesma qualidade e intensidade, e com a pandemia houve o escancaramento das desigualdades educacionais no país.

Em virtude da Covid-2019, e seguindo as diretrizes do Conselho Nacional de Educação, escolas cancelaram as aulas presenciais, e de repente 56 milhões de alunos do ensino básico e do ensino superior se viram longe da escola. Destes, 35% tiveram  as aulas suspensas, enquanto 58% passaram a ter aulas remotas, conforme pesquisa do Instituto DataSenado. Tais medidas, que tinham o intuito de amenizar o presente quadro, estão corroborando com o aprofundamento das desigualdades sociais já existentes, pois nem todas as escolas têm estrutura e verba para realizar as devidas transformações necessárias para as aulas remotas.

Conforme pesquisa do IBGE que apontou que 57% da população brasileira não tem um computador que permita acesso a softwares recentes (necessários para rodar os programas educacionais utilizados na pandemia), e que 30% dos lares não possuem internet, se pode concluir que grande parte dos alunos não têm condições de acompanharem as aulas onlines. A falta de estrutura, o acesso desigual as tecnologias é um obstáculo para a aprendizagem contínua, e aprofundam as desigualdades sociais, visto que somente uma parte dos alunos serão capazes de realizar o devido acompanhamento escolar.

É imprescindível destacar que a finalidade da educação vai muito além do que que preparar o cidadão para o mercado de trabalho, ela está intimamente ligada a transformação do homem. É a ferramenta para o desenvolvimento do ser, para o exercer da cidadania, um cidadão autônomo, conforme Paulo Freire discorre em seu livro A Pedagogia do Oprimido.

Sendo assim, respeitando o caráter da educação, respeitando os alunos que não estão tendo acesso a uma aula transformadora, e as escolas que mal conseguem se manter em tempos normais, é necessário que o Estado, através do Ministério da Educação venha a cancelar o ano letivo de 2020, incluindo os processos seletivos para o ingresso no sistema superior. Pois não se pode ter uma prova que se diz isonômica, avaliar pessoas que não tiveram as mesmas condições de aprendizagem.