Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 12/10/2020
No livro “A República” de Platão, é retratada a fórmula para uma sociedade ideal, livre de injustiças, da anarquia e do caos completo. Analogamente, diante do cenário brasileiro, é inegável a existência de impasses que impossibilitam tal harmoniosa administração. Nesse contexto, o Brasil enfrenta desafios para uma educação a distância de qualidade, que estão apoiados na desigualdade de acesso à internet e nas pessoas com falta de habitualidade com os recursos tecnológicos.
Primeiramente, o desafio da falta de acesso à internet priva grande parte dos brasileiros do século XXI ao desenvolvimento da autonomia que o acesso à informação online, consequentemente na educação a distância, tem possibilitado desde a virada do milênio. Como foi preconizado por Papert, em diálogo com Paulo Freire, a tecnologia tem o potencial de mediar o processo de aprendizagem autodirigida, devido a ampla disponibilização de conteúdos na rede.
No entanto, o segundo ponto a ser considerado acerca do meio virtual como ferramenta educativa, advém da necessidade de entendimento da realidade da comunidade a que se destina. Pois, para que o sujeito apreenda algo, Freire afirma ser preciso que o conteúdo esteja conectado ao contexto vivido. Se não houver criação de sentido, não há associação, logo a aprendizagem torna-se ineficaz. Além disso, uma comunidade que restringe um direito constitucional como o acesso a um ensino de qualidade, em vista de fatores individualistas e egocêntricos, representa um retrocesso para a coletividade que preza por equidade. Nesse viés, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológica”. Nesse sentido, percebe-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento, pois um sistema sem equidade não favorece o progresso estudantil. Dessa forma, com a indisponibilidade de ir à escola mediada pela ordem de afastamento devido a covid-19, a democratização de uma educação justa torna-se inviável.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar e superar o impasse. Em razão disso, o Poder Executivo Federal , sob a ação das secretarias municipais, deve providenciar o aumento do contingente tecnológico por meio da criação de programas como “vales chips” e “salas públicas de informática”, que incluam melhorias de logística e de infraestrutura em plataformas públicas de ensino. Ademais, é necessário o engajamento social em função de reivindicar das autoridades a competente oferta desses serviços. Assim, será possível estar no mundo e ver a realidade por completo.