Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 08/10/2020

De acordo com pesquisa feita pelo Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), cerca de 30% dos estudantes pensam em abandonar a escola, e 49% dos que pretendem realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) já pensaram em desistir. A pesquisa retrata a dificuldade dos jovens em se adaptar ao ensino remoto, e enfatiza as consequências que a pandemia pode ter gerado na educação, que vão desde o aumento das desigualdades sociais entre os alunos, até um aumento no número de casos de abandono escolar a longo prazo.

O ensino remoto que foi colocado em prática por algumas instituições início da pandemia reforçou ainda mais as desigualdades presentes na sociedade brasileira, uma vez que diversos alunos não puderam ter acesso às aulas em virtude das condições precárias de suas moradias ou da má estruturação familiar. Por outro lado, os docentes que aderiram ao processo de ensino à distância também enfrentaram dificuldades com o acesso à tecnologia e tiveram que lidar com a sobrecarga de trabalho e a exaustão.

Além disso, é necessário ressaltar que uma possível volta às aulas, seja ela feita em 2020 ou em 2021, sem a presença de uma vacina eficaz pode significar uma nova onda de contaminação entre a comunidade escolar. Caso ondas de contaminação ocorram periodicamente, as instituições de ensino precisarão fazer paralisações também periódicas, o que geraria, a médio e longo prazo, um maior número de casos de abandono escolar e também afetaria o aprendizado de alunos.

Em suma, a situação da pandemia do novo coronavírus afetou diretamente a qualidade da educação brasileira e ampliou desigualdades já existentes. Dessa forma, é necessário que instituições governamentais, como o Ministério da Educação, por exemplo, invistam em programas de apoio escolar aos estudantes vulneráveis, a fim de evitar que esses sejam intensamente prejudicados pela paralisação das atividades normais. O governo também deve investir em programas de assistência psicológica, por meio de consultas gratuitas, aos profissionais da educação, para que os danos à educação brasileira no geral, sejam atenuados.