Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 19/10/2020

A aclamada série televisiva “Black Mirror” é conhecida por retratar sociedades que vivem em uma realidade distópica, onde todos possuem acesso à diversos itens tecnológicos. Fora da ficção, é visível que a realidade exposta ao longo da trama não se assemelha ao atual panorama brasileiro, haja vista que, no país, há uma grande defasagem no que tange à garantia da escolarização dos jovens por meio do Ensino à Distância (EAD), modelo adotado por diversas instituições durante a pandemia. Assim, seja pela desigualdade social, seja pelo despreparo dos profissionais, é imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Sob um primeiro viés, é lícito postular o contraste socioeconômico enraizado no Brasil. Sob a óptica de Milton Santos, célebre geógrafo brasileiro, a globalização atinge todo o mundo, mas não a todos os lugares. Nesse contexto, é notório que uma majoritária parcela de estudantes, sobretudo oriundos de redes educacionais públicas e de famílias com uma má renda financeira, sofrem com a inacessibilidade à aparatos tecnológicos utilizados para a realização das aulas remotas. Dessa forma, o processo de aprendizagem é afetado, uma vez que os alunos não têm um cronograma de estudos contínuo.

Outrossim, é mister salientar a agravante problemática dos centros de ensino não estarem aptos a ingressarem para um sistema de EAD. A Revolução-Técnico-Científica-Informacional foi responsável pelo avanço no campo da informática. No entanto, embora seja fundamental a modernização em todos os setores mundiais, é visível que as escolas estavam despreparadas para reformular o método tradicional de ensino. Por conseguinte, não houve um suporte necessário para que o corpo docente se especializasse para lecionar de forma eficaz remotamente, além do impasse do preparo de uma boa apresentação, que, consequentemente, afetou o rendimento colegial dos acadêmicos e a dinâmica entre as turmas.

Portanto, é evidente os impactos da pandemia no setor pedagógico nacional. Para tanto, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve, com o aproveitamento de verbas públicas, criar planos que visem reprogramar a infraestrutura do sistema didático, sobretudo de escolas públicas, e auxiliar financeiramente jovens que não possuem recursos monetários para investir em tecnologias, com o fito de democratizar o Ensino à Distância. Ademais, cabe às instituições de ensino, através de cursos preparatórios, planejarem projetos que visem o aperfeiçoamento dos educadores, com o intuito de proporcionarem melhores condições de trabalho e mais facilidade na manipulação de plataformas cibernéticas educativas e, dessa forma, melhorar a qualidade da aula. Desse modo, como dito por Milton Santos, a globalização poderá alcançar mais lugares.