Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 16/10/2020
O Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), em parceria com diversos outros institutos e órgãos, realizou uma pesquisa, no momento atual, reunindo trinta e três mil jovens estudantes, a fim de averiguar o impacto do isolamento social sobre a educação e, portanto, descobriu o seguinte: 30% dos jovens pensam em deixar a escola e 49% dos que planejam ingressar em uma universidade através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já pensaram em desistir. Dessa forma, nota-se que a educação brasileira sofreu grandes danos devido à pandemia e que ela está, mais do que nunca, sendo transmitida desigualmente entre as classes sociais.
Primeiramente, é relevante abordar que mais de quatro milhões e oitocentos mil crianças e adolescentes no Brasil não tem acesso à internet em suas casas, segundo o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), portanto, não são capazes de realizar as tarefas escolares on-line e nem conseguem assistir às aulas virtuais. Assim sendo, percebe-se que grande parte dos alunos do país não tem o recebido os conhecimentos necessários para o seu desenvolvimento escolar neste período de isolamento social, que se estende de março, na maioria dos estados, até outubro, sem previsão de fim.
Além disso, há pesquisas que abordam a oferta de aulas e atividades de reforço nas diferentes regiões brasileiras, a exemplo daquela feita pelo Datafolha, que revelou que ao menos 20% dos estudantes da nação não recebeu sequer uma tarefa de suas escolas. Ainda sobre este levantamento, foi constatado que 93% dos alunos da região Sul do país teve esta ferramenta oferecida pelas instituições de ensino, enquanto no Nordeste e Norte, onde a taxa de pobreza é maior do que a do restante do Brasil, as porcentagens foram, respectivamente, 70% e 60%. Portanto, nota-se que a população dos estados da federação mais pobres está tendo menos acesso à educação do que aqueles que habitam nos locais mais ricos da União.
Urge, então, que o governo federal, para reduzir os impactos negativos da pandemia sobre a educação brasileira, através de empréstimos adquiridos com instituições financeiras, direcione mais recursos aos estados para que estes financiem a instalação de internet nas residências dos alunos que não dispõem dela, este subsídio deverá durar até que o isolamento social acabe. Além disso, os estados com os menores índices de acesso às aulas e atividades escolares por parte dos estudantes deverão receber maior quantidade de recursos.