Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/10/2020

A pandemia da Covid-19 não influenciou apenas os setores que se relacionam com a saúde. Influenciou também a economia e a educação, provando que os setores essenciais num país estão todos conectados. A falta de planejamento, treinamento, e respostas rápidas a adversidades levou a uma imensa disparidade, um abismo, entre estudantes da escola pública, que em sua maioria não têm aulas e da escola particular, que atua normalmente mesmo em home office.

Segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar) de 2018, um em cada quatro brasileiros não possui acesso a internet, formando assim um apagão das redes de quase 50 milhões de pessoas. No entanto, esse número é relacionado principalmente com a escola pública, que enfrenta esse e outros diversas barreiras para a adoção do ensino a distância. Na contramão, as escolas particulares tiveram resposta rápida, e adotaram o ensino remoto em tempo recorde.

Immanuel Kant dizia que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Correlacionando a frase de Kant com o tema, é possível inferir que a educação é o principal agente transformador do futuro, que pode fazer com que o país se transforme para melhor ou para pior. Devido a falta de ensino, muitos estudantes estão abandonando os estudos, abandonando a oportunidade de mudar o mundo, numa ideia denominada de evasão escolar.

Mesmo durante a tempestade que assola o ensino no Brasil, o principal exame de admissão nas faculdades públicas do país realizou seu processo de inscrições. Em um país com 6,6 milhões de estudantes em um apagão digital, e 49% com intenção de desistir do vestibular (segundo a CONJUVE - Conselho Nacional da Juventude), é inadmissível que haja uma seleção equânime para todos os candidatos - da escola pública e da particular.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe portanto, ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a adoção de caminhos para o fortalecimento do ensino a distância, mesmo fora de tempos pandêmicos, para ter um plano de emergência. Esse fortalecimento pode ser feito através de aulas transmitidas pela TV, ou através de livros didáticos entregues aos estudantes. Cabe a Sociedade também, o encorajamento dos jovens a não desistir dos estudos, pois a educação é a única maneira de mudar o mundo e corrigir essas disparidades para que não se perpetuem.