Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 14/10/2020
“Ninguém educa ninguém,ninguém educa a si mesmo,os homens se educam entre si,mediatizados pelo mundo” era o pensamento do educador Paulo Freire.Tomando como base isso,torna-se possível debater sobre os impactos da pandemia na educação brasileira.Acerca desse assunto estão questões como a desigualdade no acesso à internet e a falta de infraestrutura para manter o ensino à distância.
A priori,destaca-se que segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) pouco menos da metade das classes mais baixas possuem acesso à internet,sendo a maioria em áreas urbanas.A causa disso,está na desigualdade no processo de industrialização e modernização do país ocorrido no século passado,em que parte dele ficou sem acesso efetivo às redes de telecomunicações.Como consequência disso,há a falta de soluções para que os alunos,impedidos de frequentar a escola por causa do isolamento social imposto pela pandemia,sigam com os estudos.Isso os deixam mais próximos da violência e da evasão escolar.
Em segunda análise,de acordo com Paulo Arns da Cunha,diretor executivo do Colégio Positivo,apesar de 97% dos brasileiros acessarem a internet pelo celular,menos da metade dos softwares são adequados para estes dispositivos.A origem dessa realidade pode estar ligada ao fato de o acesso à essa tecnologia na educação ser,majoritariamente,realizado por alunos de escolas particulares que possuem meios com diversos recursos como aulas gravadas e ao vivo,teleconferências com grupos menores para tirar dúvidas e arquivos com atividades online.Em decorrência disso,ocorre o baixo interesse das empresas em produzir produtos que possibilitem uma maior acessibilidade aos estudantes de baixa renda.
Em síntese,para mitigar os aspectos supracitados da pandemia na educação brasileira é preciso que o Ministério das Telecomunicações mapeie as regiões carentes ao acesso à internet e firme parcerias com empresas privadas para aumentar a área de cobertura das redes do 4g e wifi com baixo custo ou de graça para famílias de baixa renda com o objetivo de incluir um número maior de estudantes ao EAD.Além disso.o Ministério da Educação deve destinar verbas para melhorar a infraestrutura da informática das escolas e fornecer dispositivos para que os alunos possam ter acesso aos conteúdos da sala de aula em casa.Isso seria feito por meio de parcerias com empresas que produziriam e consertariam aparelhos usados em troca de deduções fiscais e publicidade,com o intuito de fortalecer a educação no país de forma irreversível mesmo após a pandemia.