Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 13/10/2020
No final de 1918, durante a Gripe Espanhola, levantou-se a questão de como se encerraria o ano letivo dos estudantes, que resultou na aprovação de todos naquele ano. Tal qual nesse período, pouco mais de cem anos depois, a educação novamente se torna alvo de dúvidas, porém, desta vez tendo como plano de fundo a COVID-19. Dessa forma, vive-se um período que agravou problemas antigos e propôs novas formas de educar. Portanto, alguns impactos vistos são a desigualdade e a evasão escolar.
Como cantado por Elis Regina ao definir a democracia no país “O bêbado com chapéu-coco/ Fazia irreverências mil/ Pra noite no Brasil”, pode-se associar essa fragilidade a realidade brasileira de desigualdade na educação. No entanto, mesmo que essa problemática já existisse, a pandemia apenas a tornou mais latente, quando se observa dados como os recolhidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) que 2018, quase 50% das residências não tem computadores - e a solução dada para como educar na pandemia é o ensino a distância.
Ademais, a dificuldade no acesso apropriado às aulas online gerou em uma grande defasagem no aprendizado dos alunos, e isso se mostra na questão da evasão escolar. Conforme uma pesquisa feita pelo Concelho Nacional da Juventude (CONJUVE), cerca de 30% entre 33 mil jovens questionados já pensaram em sair da escola, enquanto desses os que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 49% consideraram desistir de fazer a prova. Por isso existe o projeto “Não desista do seu futuro”, que dá apoio e incentivo aos alunos no site “Tamo Junto Sempre”.
Logo, para que a educação dos brasileiros se estenda a todos, como garante a Constituição Federal e, assim, os alunos não precisarem pensar em “desistir do seu futuro”, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) libere mais verbas para os estados, com o objetivo de as escolas públicas obterem mais acesso à tecnologia durante as aulas. Além disso, a mídia precisa trazer mais visibilidade à projetos como o “Tamo Junto Sempre”, através de matérias relacionadas ao tema para evitar que os alunos desistam do estudo. Por fim, apenas desse modo pode-se minimizar os danos da pandemia e garantir o ensino aos jovens.