Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 15/10/2020
Segundo Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Nessa ótica, é nítido que a educação é um dos principais pilares na formação de uma sociedade mais crítica e consciente. Porém, em tempos de pandemia e isolamento social, esse aprendizado é amplamente comprometido, sendo a desigualdade social e a falta de estrutura do sistema educacional brasileiro os principais fatores que corroboram esse mazela.
Em primeiro plano, segundo o sociólogo Émille Durkheim, anomia social é um termo que retrata o estado de caos o qual uma comunidade vivencia. Nesse ínterim, a desigualdade social existente no Brasil impede o desenvolvimento de muitas áreas, dentre elas, a educação, afinal, em tempos de pandemia, muitos professores inovaram a forma de ensino com o intuito de não perderem o ano letivo, usando os meios digitais como propagadores do ensino. Todavia, muitos centros educativos desconsideraram o fato de que muitas famílias brasileiras não possuem internet, computadores ou até mesmo celulares em suas residências, fazendo com que muitos alunos sejam prejudicados e excluídos do sistema educacional. Dessa forma, em épocas de isolamento, as desigualdades são ainda mais fortificadas, tornando a educação uma prática excludente e pouco democrática.
Em segundo plano, de acordo com o poeta francês Victor-Marie Hugo, entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa. A partir dessa máxima, é nítido que o poder público ignora as suas responsabilidades de garantir uma educação de qualidade a seus cidadãos, especialmente, em tempos de pandemia, haja vista a falta de preparo dos docentes para atuarem em situações atípicas e a ausência de estratégias de levar educação a todos os alunos. Além disso, poucas escolas desenvolveram projetos que orientem as famílias dos alunos no manuseio de tarefas em casa e dicas de melhor rendimento de estudo, fazendo com que as crianças fiquem com o tempo ocioso dentro de casa e não aprendam novos conteúdos o que minimiza seus rendimentos.
Destarte, cabe à alta cúpula governamental liberar insumos para a área da educação a fim de que melhorias sejam feitas, por meio de contratação de professores que estejam aptos a encararem qualquer adversidade, ministrando aulas online de maneira criativa e interdisciplinar ajudando os alunos a manterem o foco nesse período de quarentena. Somado a isso, os centros educativos devem fazer um controle das crianças que possuem e não possuem internet em casa, para que, assim, montem atividades e cronogramas de matérias para os alunos que não participam das aulas a distância com o fito de tornar o ensino mais democrático. Ações como essas minimizarão os impactos negativos do COVID-19 na educação brasileira e fortalecerá a edificação de um Brasil mais justo.