Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 16/10/2020

O filme “Sociedade dos poetas mortos” mostra o caráter revolucionário da educação, que desperta o interesse pela arte e promove o senso crítico dos estudantes. Nesse sentido, é observado como o ambiente escolar influencia nesse processo. Contudo, com a adversidade da pandemia, esse método tradicional sofreu mudanças, gerando impactos significativos no cenário brasileiro. Logo, cabe analisar como tais desafios - associados à falta de socialização e à construção de uma bolha de desenvolvimento elitista- afetam a juventude.

Primeiramente, deve-se destacar que a educação é um direito social assegurado pela Constituição de 1988. Tal postulado torna-se imprescindível na medida que esse é o meio inicial de promover o convívio do indivíduo em grupos, já que o integra simultaneamente à agregação de valores. Contudo, com a adaptação do ensino, que passou a ser remoto em alguns casos, esse princípio não é propagado. Desse modo, as crianças passam por um processo de desmotivação, já que a interação professor-aluno não é plenamente contemplada, o que corrobora para a dificuldade do profissional na passagem de conteúdo. Assim, a saída do padrão de normalidade põe em risco o desenvolvimento, principalmente na fase da infância, de habilidades sociais que só tornam-se possíveis fisicamente.

Sob outro viés, esse cenário mostra a ascensão da desigualdade social no Brasil, uma vez que, enquanto os estudantes de rede privada têm a total possibilidade de interligar tecnologia e educação, grande parte é excluída desse progresso. Dessa forma, a raiz da segregação brasileira cresce exponencialmente, já que a democratização do ensino, mesmo que fuja da normalidade, não é efetivada. Para tanto, muitos jovens perdem as chances de ingressarem em uma faculdade, já que não tiveram as bases para isso durante a pandemia e, com isso, entram em um ciclo de auto-desmotivação. Diante disso, é notória a necessidade de travar esse cenário, que distancia a juventude, principalmente a periférica, da elevação na vida universitária e profissional.

Portanto, para inibir os impactos da pandemia na educação brasileira, faz-se necessário habilitar medidas. O Ministério da Educação, por meio de uma parceria com as redes de Internet, deve elaborar um projeto de democratização do acesso tecnológico, com o intuito de levar o progresso aos jovens de rede pública. Isso ocorrerá, ainda, com o oferecimento de uma plataforma gratuita voltada para o vestibular, de modo que motive o aluno a prosseguir seus estudos, apesar da mudança do padrão. Somado a isso, a mídia precisa, a partir de programas em horários nobres, promover debates com psicólogos, que irão passar dicas para romper o ciclo da desmotivação, sempre com respeito ao tempo de cada estudante. Logo, os embates serão menos prejudiciais à sociedade civil.