Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 17/10/2020
Do ensino básico ao superior, a necessidade de se combater a pandemia do novo coronavírus (COVID-19 ) causou o isolamento social e criou novos hábitos e comportamentos, tanto nas famílias, que precisam conciliar sua rotina de afazeres domésticos e escolares ,quanto nas instituições de ensino, onde processos, estruturas e metodologias precisam ser adaptados de forma a garantir o pleno desenvolvimento dos alunos. Além disso, reforçou a desigualdade social.
Com a suspensão das aulas, a tecnologia se mostra como uma forma de reparação aos alunos.O chamado ensino híbrido, onde há a integração das modalidades offline e online, permite a interação e a troca de saberes entre o aluno e o professor, e o aprimoramento do uso da ciência tecnológica pelos mesmos para o estudo.
A grande questão é de como garantir que todos tenham acesso a essa qualidade. Segundo Ítalo Dutra, chefe de educação da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) a pandemia evidencia disparidades que já são enfrentadas no cotidiano em todo o país: há escolas que têm infraestrutura adequada e outras que não, o que já impacta o aprendizado das crianças.
Dados divulgados no final do primeiro semestre deste ano pela Unicef ,baseados na pesquisa TIC Kids Online 2019, mostram que, no Brasil, 4,8 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 9 a 17 anos não tem acesso à internet em casa, o que corresponde a 17% dos brasileiros.
Segundo Renato Casagrande, professor especialista em gestão pública, atividades remotas em plataformas digitais são mais palpáveis quando se trata de ensino superior, já que muitas faculdades já usam diferentes mídias. Na educação básica, as escolas não estão preparadas e, nessa fase, é muito difícil os pequenos trabalharem sozinhas. Elas precisam de acompanhamento e tutoria.
Faz-se necessário que as autoridades do país, as quais compete zelar pela educação e assegurar sua garantia como um direito de todos, criar mecanismos para que esses indivíduos tenham acesso à internet de alta qualidade.
É preciso que escolas e faculdades observem a realidade das redes de ensino e os limites de acesso dos estudantes às diversas tecnologias disponíveis, na hora de definir as estratégias educacionais para esse período: as atividades podem ser ministradas através de vídeoaulas, pela adoção de materiais impressos e distribuídos aos alunos, país ou responsáveis, pela orientação de leituras, pesquisas, atividades e exercícios indicados em materiais didáticos, entre outros.