Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 26/10/2020

No filme americano Epidemia, de 1995, narra-se a disseminação de um vírus de rápido contágio e de alta letalidade que modifica a totalidade da organização populacional. Fora da ficção, mesmo sendo de baixa letalidade, a pandemia do Corona Vírus transformou o modo de vida da humanidade e afetou diretamente a configuração da educação brasileira, e as questões desiguais de acesso ao ensino se destacaram nesse período. Logo, seja pela vantagem da consequente adaptação ao mundo virtual, seja pelos desafios da profunda falta de equidade -julgamento justo-, faz-se necessária a análise dos impactos na pandemia do Covid-19 nas instituições educacionais e nos cidadãos.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a ascensão da modalidade digital no Brasil como alternativa na substituição das aulas presenciais e sua possibilidade como uma ferramenta de poder transformador. Nesse sentido, entre as diversas funções democratizadoras potencialmente exercidas pelo ensino a distância (EAD), destaca-se a maior acessibilidade a partir dessas plataformas, sem o deslocamento presencial com finalidade de cumprir as medidas de isolamento, também como a dinamização e a flexibilização da educação. Assim, segundo o filósofo Pierre Lévy, configura-se o processo de virtualização, isto é, a passagem do atual para o virtual, em que tais facetas da sociedade contemporânea ultrapassam esses limites. Dessa forma, o período pandêmico proporcionou uma revolução no aprendizado na busca de conectar professores e alunos para não atrasar o ano letivo.

Em contraponto, as disparidades relacionadas às condições econômicas tornam a adaptação plena dos estudantes do país uma realidade utópica, e evidencia-se a vulnerabilidade das mazelas sem acesso às tecnologias. Consoante a isso, de acordo com o artigo 6 da constituição Federal, a educação é um direito social que deve ser assegurado pelo Estado para oferecer ao indivíduo a capacitação para todos os brasileiros. Porém, em contraste, na pandemia do Covid-19, as escolas privadas, na maioria, adaptaram-se rapidamente ao ensino remoto, diferente de instituições públicas em que os docentes não estão capacitados e, além disso, os alunos enfrentam a perpetuação da exclusão digital, causada pela limitação da cobertura e da qualidade da internet. Sendo assim, a falta de equidade configura a persistência da desigualdade de recursos na formação acadêmica no Brasil.

Evidencia-se, portanto, que o Governo Federal deve, com o financiamento do dinheiro arrecadado em campanhas eleitorais, instituir o barateamento de recursos tecnológicos para alunos de escolas públicas, principalmente em áreas periféricas. Além disso, ofertar cursos de capacitação para professores em contra-turno- os quais devem oferecer suporte de atendimento com profissionais- com o intuito de prevenir a evasão escolar e estabelecer alternativas para o ensino, e que não o limitem.