Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 08/01/2021

O ano de 2020 foi marcado pela pandemia da covid-19, que afetou o mundo em dimensões continentais, acarretando prejuízo socioeconômicos gravíssimos. Nesse ínterim, muitos foram os desafios enfrentados pelo Brasil para minimizar os impactos desse evento na educação de crianças, jovens e adultos. Sem dúvida, as desigualdades sociais trouxeram à tona, nesse período, a discrepância existente no ensino brasileiro e as barreiras encontradas para tornar o ensino à distância (EaD) viável nesse momento de crise sanitária.

Em primeira análise, é importante destacar que a Constituição brasileira de 1988 afirma, por meio do artigo 205, que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Nesse contexto, nota-se, portanto, que ainda existe uma defasagem gritante no que concerne ao ensino público no país quando comparado às instituições privadas de ensino, que possuem mais infraestrutura, melhor acompanhamento pedagógico, acesso à cultura e lazer, dispõem de locais e materiais de estudo, proporcionando aos alunos um ambiente que instiga a busca pelo conhecimento. Enquanto isso, muitas escolas públicas não podem disponibilizar alimentação, infraestrutura e muito menos aparato tecnológico  e científico oferecendo o básico para seus alunos. Essa realidade das redes públicas de ensino criou barreiras enormes não somente de adaptação à modalidade de ensino à distância ,implementada nas escolas, mas principalmente a sua viabilidade.

Diante dessa realidade, alunos, professores e gestores da rede pública de ensino do país, encontraram um enorme desafio ao migrar do ensino presencial para o EaD, visto que muitos alunos não dispunham de acesso à internet e nem de ferramentas tecnológicas para o acompanhamento das aulas. Além disso, houve dificuldades de professores no domínio de plataformas e uso dos meios digitais disponíveis, tornando ainda mais penoso esse processo de adaptação, comprometendo o calendário escolar e a preparação de alunos do ensino médio que se preparam para o vestibular.

Depreende-se, diante do exposto, a necessidade de medidas que mitiguem essas desigualdades. Assim, urge que o Governo Federal em parceria com os estados e municípios, disponibilizem aos alunos acesso à internet por meio de chips bem como tabletes ou computadores para o acompanhamento das aulas. Além disso, faz-se necessário investir na capacitação de professores para o uso de ferramentas digitais, disponibilizando também espaços com equipamentos para gravação das aulas e preparação de conteúdos de qualidade, visando oferecer à sociedade um ensino mais justo e igualitário.