Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 04/11/2020

O célebre escritor brasileiro, Gilberto Dimenstein, relata em sua obra “Cidadãos de Papel”, um Brasil com um conjunto consistente de leis, mas que no entanto, mantêm-se em um plano teórico. Nesse sentido, em momento de pandemia, essa divergência fica ainda mais notável no que diz respeito ao artigo da Constituição que garante a educação como um direito de todos. Dessa forma, existem fatores que favorecem esse quadro de iniquidades, como a desigualdade social e a dificuldade na adaptação às aulas remotas. Assim, é mister debater sobre os impactos da pandemia na educação brasileira.             Primeiramente, é fundamental destacar que uma pandemia agrava a desigualdade social, o que impacta diretamente na educação. Nesse seguimento, em 2020 o Brasil foi afetado pela pandemia do coronavírus, motivo pelo qual escolas foram fechadas e precisaram se reinventar, migrando para o ensino à distância. No entanto, isso acentuou o contraste entre a educação pública e privada. Dessa maneira, nem todos tiveram condições de manter seus estudos, pois pessoas com menor poder aquisitivo nem sempre têm acesso a recursos digitais, como computadores, celulares e até internet. Segundo o IBGE, apenas 57% da população brasileira tem acesso à internet pelo computador e 97% acessa pelo celular. Logo, é essencial que o governo apoie as pessoas financeiramente menos favorecidas.

Em segundo plano, é importante destacar que com a pandemia, a forma de ensino foi rapidamente modificada, do presencial ao virtual, sem um período de adaptação às aulas remotas. Nesse viés, a qualidade e o rendimento do ensino à distância tende a ser menor. Conforme a professora Ana Lúcia Diana, em “Complicações das descomplexificações na comunicação: uma reflexão sobre o ensino à distância”, a falta de interação entre as pessoas nesse âmbito, pode resultar em um esforço maior para alunos com mais dificuldade de aprendizagem, pois o convívio traz ações diferentes que não ocorrem frente aos computadores. Desse modo, os estudantes menos autônomos e disciplinados têm maior dificuldade para se adaptar às aulas remotas. Assim, é imprescindível que o ensino à distância drible os problemas de adaptação e disciplina nas aulas online.

Em suma, urge que medidas sejam tomadas a fim de alterar esse cenário. Portanto, o governo deve investir, por meio de verbas públicas, em recursos tecnológicos nas comunidades carentes e regiões sem acesso à internet, para que todos consigam usufruir do seu direito à educação, mesmo que seja remotamente. Além disso, as mídias sociais devem promover campanhas educativas para informar a sociedade sobre os benefícios da educação à distância. Assim, a “Cidadania de papel” discutida por Dimenstein não será mais uma realidade.