Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 04/11/2020

O adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio para janeiro de 2020 excluiu a opinião majoritária dos estudantes e as próprias condições precárias que milhões obtiveram para estudo durante a pandemia. Essa decisão retrata pontos ímpares quanto ao debate sobre os impactos à educação nesse momento, como a desigualdade educacional e a elitização do ensino, reforçados por um governo negligente.

A pandemia apenas ampliou a já existente enorme lacuna econômica na qualidade de ensino no Brasil. Enquanto alunos de instituições particulares conviveram com diversas ferramentas virtuais e de EAD (Educação a Distância), muitos alunos de escolas públicas sequer possuem acesso à internet. Apenas cerca de metade da população dispõe do uso de computadores, ferramenta que se tornou imprescindível no isolamento social.

Esses impactos na educação são apenas reflexos de um sistema há muito sucateado e menosprezado pelo governo. A falta de equipagem e ferramentas de aprendizagem nas escolas públicas é recorrente, e o agravamento dessa precariedade com a ocorrência do coronavírus, evidencia as falhas dessa organização que já limitava o desenvolvimento pedagógico de classes menos privilegiadas.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação e ao Governo Federal a criação de políticas para promover qualificações semelhantes em escolas públicas e privadas, para que não haja a manutenção dessa disparidade, que desconsidera essa assimetria, como no advento da nova data do Enem. Ademais, deve haver uma maior atenção ao ensino virtual e a capacitação de profissionais para tal, proporcionando novos patamares didáticos.