Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 04/11/2020
Através da obra “Mindstorms: Children, Computers and Powerful Ideas”, de 1980, o educador Seymour Papert foi precursor na defesa do uso de computadores na aprendizagem. Hoje, o atual cenário pandêmico e a necessidade do ensino remoto têm confirmado a importância da agregação tecnológica à educação para suprir as demandas do mundo contemporâneo. Entretanto, tal modelo de ensino é afetado pela desigualdade de acesso à conexão de rede e pela dificuldade de adaptação de educadores, reduzindo o rendimento escolar. Portanto, o debate acerca da educação na pandemia deve ser realizado entre os âmbitos estatal e civil de modo a minimizar os impactos negativos.
Primeiramente, deve-se analisar as disparidades sociais na realidade do Brasil. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de seis milhões de alunos brasileiros não possuem acesso à internet, impossibilitando a participação nas aulas remotas durante o período de pandemia. Considerando que grande parte dessa parcela é formada por estudantes da rede pública, tal estatística demonstra o abismo entre classes presente na sociedade brasileira. Os impactos, por sua vez, refletem na inexecução do direito à educação previsto na Constituição Federal de 1988. Dessa forma, verifica-se a necessidade da ação governamental para garantir a promoção do acesso à internet de forma mais igualitária e justa.
Em segundo plano, é preciso considerar o nível de preparo de profissionais da educação para lidar com o vigente cenário. Conforme pesquisa do Instituto Península datada de maio, 83% dos professores declararam sentir-se despreparados para administrar aulas online. Visivelmente, essa insegurança apresenta-se devido à falta de contato prévio com as plataformas digitais motivada pela baixa adesão das escolas a esses meios. Por consequência, tal conjuntura tem impactado negativamente no potencial do ensino remoto através do despreparo profissional. Assim, o estímulo aos educadores para melhor conhecimento dos meios digitais é essencial para o favorável desenvolvimento do atual quadro.
Logo, evidencia-se que o panorama brasileiro carece de ações que aplaquem os efeitos negativos da pandemia no setor da educação. Em primeira medida, o Ministério da Educação deve disponibilizar o acesso à internet aos estudantes excluídos do atendimento por esse serviço através da ampliação da rede de conexão com o uso de verbas públicas, a fim de promover maior participação estudantil no ensino remoto. Além disso, é essencial que instituições de educação forneçam cursos e materiais informativos acerca do uso de plataformas digitais visando o melhor preparo de seus profissionais. Com isso, será possível executar um modelo de ensino efetivamente integrado à tecnologia conforme já idealizado e defendido por Seymour Papert.