Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 30/10/2020

Além de obrigar o fechamento das escolas e exigir que o ensino e aprendizagem aconteça a distância, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) aumentou os desafios para a implementação dos novos currículos do ensino médio pelas redes estaduais de educação. As equipes seguem na preparação dos documentos, mas as próximas fases, como consultas públicas, homologação, formação de professores e implementação, podem atrasar. Ainda não se sabe quando as aulas presenciais poderão voltar. Quando acontecer, exigirão mudanças na infraestrutura das escolas e nos recursos humanos. Tudo feito de acordo com os protocolos sanitários, com distanciamento de estudantes e profissionais e adoção de ensino híbrido. Ao mesmo tempo, o Novo Ensino Médio traz outros desafios, com mudanças positivas e esperadas, segundo Rita Jobim, coordenadora de Políticas de Ensino Médio do Instituto Unibanco. “Reinventa o modelo para ser mais atraente, mais conectado com o que o estudante precisa e se interessa, permite escolhas. Envolve uma mudança grande na estrutura da oferta. Diferentes escolas poderão oferecer diferentes itinerários. Precisa realocar profissionais e redistribuir as turmas. Exige uma movimentação de professores e estudantes. Fazer isso combinado com a pandemia é muito desafiador”, diz Rita.

As crianças e os jovens também não estavam acostumados a rotinas mais pesadas de estudos em casa, ambiente no qual normalmente priorizavam atividades de descanso e entretenimento. De maneira geral, os estudantes não possuíam a maturidade para lidar com a autonomia implícita no ensino a distância, em especial os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. As dificuldades são várias, mas são normais. Não devemos nos assustar, esse cenário de educação e coronavírus é novo para todos. O importante é que saibamos, com humildade, identificar essas falhas e dediquemos esforços para corrigi-las.