Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 15/11/2020
De acordo com o escritor brasileiro Augusto Cury, a educação deve receber cada vez mais atenção da sociedade civil, uma vez que os jovens de hoje serão os trabalhadores do amanhã. Entretanto, a pandemia causada pela covid-19 provocou uma profunda crise no sistema educacional do Brasil. Nesse contexto, dois aspectos tornam-se relevantes no debate a respeito dos impactos do novo coronavírus na vida estudantil brasileira: a desigualdade social e a saúde mental.
Inicialmente, a pandemia escancarou a discrepância entre as camadas da sociedade no acesso à educação. Por certo, os órgãos ligados ao ensino consideraram o meio digital como “salvador” do ano letivo de 2020. Contudo, o pesquisador francês da área tecnológica e social, Pierre Levy, afirma que toda nova tecnologia cria seus excluídos. Analogamente, a falta de acesso à internet aliada à necessidade de equipamentos minimamente razoáveis para a educação à distância impossibilitou que uma parcela da população mais pobre usufruísse de um ensino remoto de qualidade. Desse modo, a condição desigual entre os estudantes, que já era grande sem pandemia, foi intensificada no momento atual e, a médio e longo prazo, será ainda maior.
Outrossim, o estado psicológico de professores foi bastante afetado durante as aulas remotas. Para ilustrar, em matéria publicada no jornal BBC, um professor peruano cogitou deixar a profissão, pois chegou a um nível de frustração altíssimo durante as atividades remotas. Visto que, além de serem responsáveis pelo ensino e motivação dos estudantes, os educadores ganharam o dever de dominar a tecnologia para continuar trabalhando e organizar o tempo entre vida pessoal e profissional em casa, o que gerou um desgaste mental ainda maior. Dessa maneira, a saúde psicológica dos docentes é cada vez mais sucateada, fato que pode acarretar no abandono das atividades acadêmicas.
Portanto, constata-se que a pandemia do novo coronavírus trouxe o impasse da educação à distância, configurando-se como um problema na sociedade brasileira. Sendo assim, é preciso que o Ministério da Educação, que é responsável pela destinação dos recursos, promova o acesso à internet e às ferramentas necessárias à conexão on-line, por meio da criação de um programa nacional de ensino remoto que forneça auxílio financeiro ao estudante. Ademais, é indubitável que o Ministério da Saúde, que é encarregado da administração da verba, disponibilize a consultas com profissionais capacitados a cuidar da saúde mental dos professores, por meio da implementação de plataformas de atendimento on-line e linhas telefônicas em período integral. As ações propostas visam reduzir os impactos da pandemia na educação brasileira e, consequentemente, promover o bem-estar de alunos e professores.