Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 02/11/2020

De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em “Cidadão de Papel”, no Brasil, os direitos constitucionais são ineficazes, sendo garantidos apenas na teoria, gerando uma falsa sensação de cidadania. Nesse viés, a educação a distância, em tempo de pandemia, impossibilita ainda mais o que é pregado pelo autor. Logo, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas principais: a ausência de acessibilidade às tecnologias e o baixo investimento governamental.

É fundamental relatar, de início, que a omissão de acessibilidade aos meios digitais é um problema. Acerca dessa lógica, o pensador Thomas Hobbes afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Para exemplificar isso, percebe-se uma lacuna no que tange à desigualdade do acesso às tecnologias, corroborando para que uma parcela da coletividade não tenha acesso aos meios digitais. Consequentemente, é notório que a escola não dispõe acessibilidade para alcançar todos estudantes do ambiente escolar, uma vez que não oferece recursos para isso. Por essa razão, entende-se a importância de ações que atenuem o quadro.

Outrossim, é pertinente pontuar a negligência governamental como um fator evidente. Nessa perspectiva, evidencia-se o oportunismo estatal que, segundo o historiador Leandro Karnal, é fruto da limitação ética e democrática da liderança nacional, fundamentada na corrupção, o que leva à restrição de projetos que suscitam a cidadania. Analogamente, é evidente que devido à falta de incentivo governamental, o aluno que não tem acesso às plataformas digitais fica à margem do processo de ensino-aprendizagem, e isso, gera um sentimento de desmotivação, ainda mais acentuado, no ensino da rede pública. Isso se dá devido ao agravamento desse quadro causado pelo isolamento social durante esse período, assim, a população mais carente fica desassistida do acesso à educação de qualidade. Portanto, é preciso elaborar alterações para esse cenário pungente.

Destarte, urge minimizar esse panorama negativo visualizado no país. Nesse âmbito, cabe ao Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, por meio do Ministério da Educação, sanar os problemas apresentados, através da criação de programas de distribuição de equipamentos digitais e acesso à internet para a população mais necessitada. Acredita-se que tais medidas governamentais possam resolver o infortúnio presente na sociedade contemporânea para que, assim, as pessoas mais carentes tenham acesso à educação remota de qualidade e, assim, os direitos constitucionais garantidos. Dessa maneira, é insigne que essa problemática seja cada vez menos recorrente no Brasil e a população possa ter uma sociedade mais próxima de “Cidadão de Papel”.