Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 03/11/2020
Desde o século XVIII, com a corrente filosófica do Iluminismo, entende-se que o ser humano está em condições de tornar esse mundo um lugar melhor. Entretanto, quando se observa os impactos negativos da pandemia na educação brasileira, verifica-se que essa é uma ideia constatada na teoria e não desejavelmente na prática . Nesse sentido, a insuficiência constitucional e social corroboram esse impasse e a problemática segue inerentemente ligada à realidade do país.
Efetivamente, muitas instituições sociais não se comprometem substancialmente com os impactos da pandemia na educação nacional, mesmo que esse seja um dever da sociedade brasileira. Nesse âmbito, similarmente, José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a despreocupação do Poder Público frente aos problemas sociais. Sob essa perspectiva, a pandemia proporcionou obstáculos na democratização da educação brasileira como a ausência de aparelhos eletrônicos e internet acessível à boa parte dos brasileiros e deslocamento de professores e alunos do ambiente escolar presencial para o digital, a fim de diminuir as aglomerações. Assim, atesta-se a necessidade da mudança de postura das instituições formadoras de opinião para que os brasileiros possam vivenciar a tese defendida pela pensadora Simone de Beauvoir de que nada limita um indivíduo.
Paralelo a isso, a incúria social vinculada ao déficit em investimentos na promoção de uma educação inclusiva e de qualidade para todos os brasileiros fomenta a perpetuação do impasse, ainda que esse direito esteja respaldado na Constituição de 1988. Nesse contexto, a carência de políticas públicas que auxiliem o repasse de verbas para a educação não é suficiente para atender a demanda nacional, o que resulta na incapacidade de democratizá-la, principalmente em áreas periféricas de grandes centros urbanos, prejudicando muitos brasileiros pela supressão desse direito.
Em síntese, são necessárias medidas que atenuem os impactos negativos da pandemia na educação brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Estado, ao seguir o “Imperativo categórico” de Kant -que assegura que o princípio da ética é agir de forma que essa ação seja uma prática universal-, promover acesso gratuito à internet para famílias com renda inferior ao salário mínimo nacional e distribuir tablets e computadores para toda a rede pública de ensino nas áreas centrais das cidades, com o auxílio de agentes de saúde, máscaras e álcool gel com o objetivo de promover o bem-estar do brasileiro. Dessa forma, o Brasil poderá garantir a filosofia iluminista e a síntese kanteana será consolidada.