Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 05/11/2020

O ano atípico de 2020, devido a pandemia causada pelo Covid-19, provocou várias mudanças de forma apressada no ensino mundial, entre elas a passagem do ensino presencial ao à distância. O país não estava preparado para essa mudança, segundo dados do levantamento “TIC Domicílios 2019”, formulado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), aproximadamente 30% dos lares no Brasil não têm acesso à internet. O impacto que isso causa no país é um déficit de aprendizagem maior do que já existia entre a rede pública e a particular, por conta da inacessibilidade à tecnologias educacionais e do despreparo das escolas e professores.

A estratificação social não é um problema que existe apenas no Brasil, analisando sob uma perspectiva histórica, ela é consequência do capitalismo e da intensa divisão social do trabalho produzida por esse sistema. Para Weber, há um status relacionado às classes sociais que é motivado pelo estilo de vida e pelo seu poder de compra, pode-se evidenciar isso citando o mesmo estudo presente na introdução do Cetic o qual diz que entre a classe A, apenas 1% não possui conexão com a internet, além de que, aquelas que possui uma renda alta (classes A e B), geralmente, pagam escola e possuem computadores, tendo a oportunidade de dispor do ensino a distância de qualidade. Comparando com as classes D e E, que de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 42% delas possuem internet, isso significa que toda essa porcentagem ou não conseguiu ou teve muita dificuldade em assistir às aulas remotas criando uma ‘’lacuna’’ no aprendizado dessas crianças e jovens e as distanciando ainda mais dos estudantes da escola privada.

Além disso, a maioria das escolas não conta com o suporte necessário para o oferecimento do ensino remoto e são poucos os professores que tiveram a formação adequada para lecionar a distância. Preparar uma aula remota é bem diferente da prática presencial de sala de aula, a dinâmica de interação com os alunos é outra e o conhecimento das tecnologias educacionais é imprescindível. Todo esse despreparo impacta o estudo da criança ou do jovem que não estavam acostumados a uma rotina de estudos em casa, ambiente onde normalmente prioriza-se atividades de descanso e entretenimento, os estudantes não possuíam a maturidade para lidar com a autonomia implícita no ensino a distância, em especial os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.

Concluindo, toda essa falta de preparo das escolas, alunos, professores e a inacessibilidade das classes baixas à internet impactam diretamente na saúde mental dos estudantes, por estarem sob maior pressão dentro da sua própria casa e na agravamento da situação das classes mais pobres, perdendo seu direito de ensino por falta de acessibilidade.