Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 26/11/2020
A educação brasileira está diante de um desafio, causado pela pandemia, e que terá consequências duradouras. Os impactos envolvem dificuldades para ensinar por parte dos professores, que precisam buscar novos materiais e canais para passar um conteúdo, e aprender por parte de alunos, que sofrem com dificuldades no acesso a computadores, por exemplo. Ademais, as complicações geradas pela pandemia serão impactantes na adaptação curricular. Assim, é importante pensar novas políticas públicas para a educação, visto cenário inédito que se apresentará no futuro.
Sem dúvidas, o processo de aprendizagem no Brasil é desigual durante a pandemia, visto que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, cerca de 43% da população não possui computadores, uma das principais ferramentas de estudo e trabalho durante o isolamento social. Além disso, estudantes de escola pública não recebem o mesmo tratamento que os de escola particular, visto que não têm aulas virtuais síncronas, recebendo conteúdos sem interação. Outro fator a se levar em conta é a mudança radical e sobrecarga no trabalho dos professores, que passam a ter ferramentas não tão exploradas anteriormente como forma de dar aula, como a rede privada que usa o Google Meet. Na rede pública, além de atividades virtuais, professores também precisam entregar atividades de maneira impressa aos alunos que não acessam o ambiente digital.
Consequentemente, durante os meses de pandemia, pelas dificuldades anteriormente pontuadas somando-se questões de desmotivação, cansaço mental e falta de apoio familiar aos alunos, e haja vista a não compreensão total de conteúdos pelos estudantes, os currículos das escolas deverão ser remodelados. Um exemplo é a situação de 500 mil alunos de São Paulo, que podem ser reprovados por não fazerem atividades propostas nas plataformas, obtendo, assim, pouco ou nenhum proveito do ano letivo.
Com isso, é imprescindível uma readaptação curricular para o próximo ano, com o objetivo de ofertar ao estudante possibilidades de recuperar conteúdos perdidos durante a pandemia e aprender o conteúdo da série seguinte. Essa reestruturação deve ser destinada ao suporte aos professores no pós-pandemia e deve ser pensada por equipes das secretarias de educação municipais e estaduais, em parceria com o Ministério da Educação, por meio da coleta de dados sobre níveis de aprendizado, além de escutas realizadas com professores sobre a real situação da educação.