Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 19/11/2020
Evidencia-se, atualmente, os impactos que a pandemia da COVID-19 está causando na educação brasileira. A desigualdade social e as dificuldades no acesso de tecnologias causam um abismo aos que podem dar continuidade ao processo de aprendizagem e os outros que sequer possuem um dispositivo eletrônico com acesso à internet em casa. Além disso, a falta de suporte das escolas e a pouca formação de professores e estudantes dificultam o ensino remoto ou a distância. Logo, vê-se escancarado a disparidade educacional no Brasil, problemática que deve ser solucionada para que haja a plena garantia dos dos direitos constitucionais.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a pandemia da COVID-19 já afetou os estudos de mais de 1,5 bilhão de estudantes. Isso se dá pois, a maioria das escolas não contam com o suporte necessário para o enfrentamento do ensino remoto ou a distância, aos poucos professores que tiveram a formação adequada para essa modalidade de ensino e as crianças e jovens que tiveram a rotina de casa modificada, visto que esse ambiente era usado para outras coisas, tais como, lazer, descano e ajudar os pais. Portanto, devido a esse despreparo, grandes são os desafios enfrentados pela educação.
A Constituição Federal de 1988 diz que a educação é um direito de todos e é dever do Estado a sua promoção. Contudo, com a desigualdade social e tendo como a pandemia como um contexto agravante, poucos são aqueles que tem esse direito assegurado, uma vez que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 46 milhões de pessoas não acessam a internet e, em áreas rurais, o índice chega a 53,3%. Consequentemente, sem o acesso a rede e ao ensino remoto ou a distância, associado ao trabalho, perpetua-se um ciclo vicioso de miséria que vivem crianças e jovens, para quem o estudo representa a única forma de combate às desigualdades. Assim sendo, nota-se que medidas devem ser elaboradas para proporcionar a equidade no ensino.
Em suma, é dever do Estado e dos órgãos cabíveis intervir. O Estado, junto ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), deve pesquisar, por meio de reuniões com as secretarias de educação dos municípios e visitas técnicas, os perfis das instituições da rede pública, buscando entender as necessidades de cada escola, a fim de solucioná-las. Soma- se a isso, as mídias sociais, em conjunto com o MEC, disponibilizarem um canal para que possam assistir as aulas aqueles que não possuem eletrônicos e internet. Também, a sociedade deve praticar a doação de eletrônicos e as empresas de internet ofertarem planos mais baratos, para que todos possam se digitalizar. Destarte, com essas medidas, haverão menos impactos negativos da pandemia na educação brasileira.