Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 27/11/2020

De acordo com o célebre educador brasileiro Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Essa tese reflete bem sobre o impacto positivo que o ensino promove em um lugar.  Contudo, no Brasil, após o início da pandemia, o sistema educacional sofreu drasticamente, fazendo com que milhares de alunos ficassem desamparados. Isso porque tanto o Estado não conseguiu proporcionar uma estrutura para auxiliar os estudantes a manterem uma rotina ativa quanto grande parte das famílias se encontrou despreparadas para lidar com essa situação.

Inicialmente, ressalta-se que a lentidão estatal no sentido de solucionar rapidamente as dificuldades encontradas pela educação após a pandemia prejudicou significativamente os estudantes. Essa realidade é constatada, por exemplo, pelo baixa infraestrutura das escolas públicas, por exemplo, a se adaptarem às novas formas de ensino. Nesse contexto, a ausência  de recursos tecnológicos aliado a pouca capacitação de vários professores ao sistema “online”, dificulta o aprendizado do aluno. Além disso, conforme o IBGE, somente 57% dos brasileiros têm computador em casa, o que impede o acompanhamento das aulas e atividades corretamente.

Outro fator importante a ser destacado é a deficiente atuação das famílias no que diz respeito a auxilar os filhos nessa nova forma de ensino. Segundo o filósofo inglês John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências. De maneira análoga, as crianças e os adolescentes são influenciados pelo meio em que vivem, fortalecendo o senso crítico por meio dos exemplos dos pais, professores e amigos. Nesse sentido, se no âmbito familiar os pais não ensinar os filhos a se adaptar às mudanças ou até mesmo a fortalecer o lado emocional desses indivíduos para que não desistam de estudar,talvez, tenderão a ficar desmotivados,o que pode potencializar a evasão escolar.

Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar esses problemas. Nesse viés, o Estado, na figura do do Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve melhorar com urgência a infraestrutura das escolas e a capacitação aos professores para o ensino virtual, com o intuito de reverter a triste situação que se encontra o ensino do país e ajudar os alunos a permanecerem assistindo aulas. Por fim, o Ministério da Tecnologia, mediante a ampliação dos auxílios estudantis, precisa não só fornecer o acesso à internet e a ferramentas tecnológicas aos estudantes mais carentes, como também um apoio informacional frequente às famílias acerca de como lidar com o ensino “online” dos filhos em casa, com a finalidade de motivá-los a continuarem estudando para lutar por um futuro melhor.