Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 27/11/2020
Embora muitas instituições já estivessem familiarizadas com o ensino a distância (EAD) e a maioria dos jovens já inseridos na era tecnológica atual, a pandemia do novo corona vírus afetou de maneira desigual a sociedade e a educação brasileira que precisou se adaptar a um método de ensino quase inédito. Indubitavelmente a digitalização apressada e a falta de estrutura são os novos desafios para o ensino.
Apesar de que a maioria das escolas particulares e do ensino superior já estava habituada às aulas remotas, houve certa dificuldade para a adaptação do ensino 100% on-line, tanto por conta do despreparo quanto pela disponibilidade de ferramentas inicialmente. O cenário fica mais complicado nas instituições públicas, em que grande parte dos alunos não dispõem de meios para acessar as aulas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 57% da população possui um computador atualizado, 97% faz uso de celulares e 30% dos lares não possuem acesso à internet, ambos são fatores indispensáveis no EAD. Dessa forma, a obtenção de um ensino básico e de qualidade fica comprometido e, assim, as desigualdades entre instituições públicas e privadas são acentuadas.
Além da questão da disponibilidade de infraestrutura, a questão da saúde mental também está interferindo nessa nova realidade. Consoante ao CONJUVE (Conselho Nacional da Juventude), 30% dos jovens pensam em deixar a escola e 49% pretendem desistir do ENEM. A falta de concentração, equilíbrio emocional e organização para estudar estão interferindo na eficiência do ensino, pois há a questão da incerteza com o próprio futuro e a falta de contato com amigos e colegas.
Por conseguinte, cabe ao governo investir em políticas públicas que possibilitem o acesso ao EAD, por meio da oferta de wi-fi em locais públicos abertos por conta do vírus e do fornecimento de curso de formadores para capacitar professores. Ademais, poderiam investir na elaboração de aplicativos de estudo para celulares, pois é o maior meio de acesso à internet. Também, escolas poderiam fornecer acompanhamento psicológico on-line aos alunos e tutores. Dessa forma, pode-se diminuir os impactos das desigualdades ao proteger a saúde mental dos envolvidos para um melhor desempenho e fornecendo uma chance de estudar aos que são excluídos digitalmente.