Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 16/12/2020
2020 tem sido um ano desafiador para a educação e a pandemia, como toda crise, forçou o setor a se modernizar. Porém, o que se viu até o presente momento, é que esse progresso se deu às custas do aumento da desigualdade social entre estudantes das escolas públicas e privadas. Em um país cujo lema governamental na história recente foi “Brasil, um país de todos”, é inaceitável o ponderamento entre o aumento da desigualdade socioeconômica entre as classes sociais em prol da modernização educacional.
Nesse contexto, os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), os quais atestam que apenas 42% das classes D e E estão conectadas à internet, corroboram com a confirmação da seguinte realidade: se os alunos de baixa renda não possuem acesso à rede, ficam impossibilitados de participar das aulas on-line, de forma que são excluídos do processo de aprendizagem. Por outro lado, os alunos das classes A e B, frequentadores da rede privada de ensino, possuem amplo acesso à internet e não são prejudicados. Dessa forma, o vírus atua selecionando não apenas quem vive, mas também quem terá mais oportunidades no futuro e, em ambas a seleções, a pobreza sai prejudicada.
Ademais, o diferente acesso a cursos preparatórios para trabalhar com as ferramentas digitais disponibilizados para professores das duas esferas acentua o abismo no sistema educacional. Por conseguinte, apesar do esforço hecúleo observado por parte dos professores da rede pública para se atualizarem, ficam desfavorecidos frente a seus colegas da rede privada. Logo, ao final da pandemia, o Brasil enfrentará não apenas o caos no sistema de saúde, mas também no educacional.
Em suma, a crise sanitária forçou a educação a aliar-se à tecnologia, processo há muito proclastinado. Porém, para que essa modernização não seja fonte de injustiça social, o governo federal, por meio de decreto, pode compelir as operadoras de telefonia e internet a fornecerem o acesso às plataformas nas quais são postadas as aulas a preços fixos e baixos, analogamente ao que foi feito com a instalação de telefones públicos no passado. Outrossim, professores da rede privada podem compartilhar seus conhecimentos acerca das ferramentas digitais em suas redes sociais a fim de auxiliar na formação de seus colegas que atuam na rede pública. Assim, ao final dessa tribulação, a nação sairá menos desigual e com cidadãos mais bem formados.