Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 20/12/2020

No final de 2019, surgiu os primeiros casos da COVID-19, doença que em 2020 progrediu para uma pandemia e obrigou milhares de pessoas a fazerem quarentena. Sob essa perspectiva, diversos setores foram afetados, principalmente a educação, pois os estudantes e professores ficaram impossibilitados de irem a escola e assim ocorreu a necessidade da implantação de um sistema de ensino à distância. Porém, essa solução tem diversas lacunas e não atendem a toda a parcela estudantil, essencialmente a instituição pública, além de não suprir a outra função do espaço escolar de ocupar o tempo de forma construtiva dos indivíduos.

De fato, a população de baixa renda, que se concentram no ensino público, são os mais afetados por essa mudança na maneira de ensinar, essencialmente pela falta de acesso aos serviços e tecnologias necessárias. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 5,8 milhões de estudantes da escola pública não tem acesso a internet, sendo impossibilitados de participar do novo método de ensino. Assim, é visível a desigualde educacional que esse sistema agravou, pois deixou um grande grupo de alunos sem aulas por meses e consequentemente diminuiu as chances de continuar a acompanhar o ensino depois da pandemia, além disso, ocasionou a desistência em massa de estudantes que já não tinham esperanças em encontrar um futuro acadêmico.

Ademais, a escola tinha funções secundárias além de transmitir conhecimento, pois é um espaço que ocupa o tempo livre das crianças e adolescente com esportes e outras atividades, além disso, para muitos era sua fonte de alimentação. Nesse sentido, o desenvolvimento dos estudantes em diversas áreas de seu corpo e mente foram abalados, obrigando-os a se adaptarem a uma realidade que não existe o abrigo da instituição e o sustento que era disponível. Dessa maneira, é possível ligar a fala de Rubem Alves, “há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”, no qual o ensino remoto e seus empecilhos se tornam uma prisão com recursos escassos para milhares de pessoas que necessitavam da antiga e libertadora educação. Portanto, a pandemia mudou a vida de todos, principalmente no cotidiano estudantil, lesionando a parcela mais vulnerável e modificando seu futuro.

Desse modo, é necessário que o governo disponibilize o ensino à distância para todos os segmentos de alunos na sociedade por meio de um programa de bolsa para a compra de equipamentos (como computadores) e o pagamento de serviço de internet, em ressalva que só poderão serem aprovados auxílios de indivíduos que tiveram sua situação socioeconômica estudada, para que assim a educação chegue a todos e as oportunidades possam ser distribuidas igualmente, mesmo em um momento tão díficil de isolamento social.